Interregno - Parte 1: A Regência de Leonor Teles
Apoie o canal por Pix, usando este email como chave: [email protected] OU use a plataforma do Apóia-se: https://apoia.se/canaletimo Apoiando o canal Étimo, você apoia o canal Solilóquio Para saber mais: https://www.ricardocosta.com/cronolog... http://maltez.info/aaanetnovabiografi... História de Portugal - João Ameal 00:00 | Introdução 00:58 | O Tratado de Salvaterra dos Magos 02:13 | O Povo Contra a Regente 03:34 | Uma Regente Alinhada com Castela 04:42 | Revolta Contra a Regente e Conclusão Um acordo coloca Portugal em risco de perder sua independência. Uma regente governa sem o apoio do povo. Buscando sobreviver entre poderes com diferentes interesses, uma mulher se tenta se equilibrar num mundo governado por homens. VINHETA Olá amigo do canal solilóquio, hoje vamos contar a história da regência de Dona Leonor Teles, rainha esposa de Dom Fernando I, que sobreviveu ao seu marido e tornou-se regente do reino num período crítico de Portugal. O TRATADO DE SALVATERRA DE MAGOS (1383) Para selar as pazes após a terceira das guerras fernandinas, foi assinado em Salvaterra dos Magos um tratado que combinava o casamento da infante Dona Beatriz, herdeira do trono português, com Dom João, rei castelhano que recém perdera sua esposa. O tratado tinha algumas situações hipotéticas de quem herdaria o trono nessa ou naquela situação, e a que se configurou na situação real foi a de que Dona Beatriz herdou a coroa, e Dona Leonor seria então a regente do reino. (destacar essas partes no tratado). Parece que Dom Fernando queria que o rei Castelhano servisse de poderosa salvaguarda dos direitos de sua filha e possível neto, já que o rei de Castela não permitira que um aventureiro qualquer, ou um dos irmãos de Fernando usurpassem o trono que seria da sua esposa. Mas o tiro acabou saindo pela culatra, já que o rei castelhano usaria o nome da esposa para governar de facto o reino português e forjar a partir daí uma união ibérica. O POVO CONTRA A REGENTE Então, essa era a regente de Portugal, uma rainha impopular, cujo casamento com Dom Fernando foi contestado pelo povo de Lisboa e outras regiões. A mesma rainha que, segundo o povo, havia promovido a execução do Alfaiate Fernão Vasques, que liderou o povo na revolta contra essa união. A mesma rainha que, querendo ver em desgraça Dom João, filho de Inês de Castro e irmão do rei Fernando, deu a entender a este que se ele se livrasse da sua esposa, ele poderia se casar com a filha dela, futura rainha de Portugal, o que faria de João o possível próximo rei. Isso fez Dom João caiu na ganância e matar a esposa, que, veja só, era a própria irmã de Leonor Teles. Tida como indecente, a regente não ajudou em nada a melhorar sua imagem quando tornou evidente um caso com João Fernandes Andeiro, Conde de Ourém. Você ouviu falar dele no vídeo sobre Dom Fernando: Um nobre de Corunha que se opunha a Henrique II de Castela e que ajudou o rei português na tentativa de conquistar a Galícia. A REGENTE ALINHADA COM CASTELA Parecia ao povo português que a independência do reino dependia de eles se manterem distantes da rainha Dona Beatriz esposa de Dom João de Castela, controlada por este. Leonor encontrava apoio entre nobres que enxergavam as coisas de uma maneira muito simples: Beatriz era a herdeira legítima do trono e Leonor sua regente. Esses iam pelo caminho da legalidade, levasse ele onde levasse. Mas outra parte da nobreza, e principalmente o povo, entendia que esse caminho levaria à subordinação à Castela, e queriam tudo menos isso. Por isso, quando o rei de Castela ordenou que Dona Leonor fizesse aclamar dona Beatriz rainha de Portugal, a regente achou prudente cair nas graças do poderoso genro, e fez seus arautos realizar a proclamação nas principais cidades. Mas essa ação abriu ainda mais a brecha entre Leonor e o povo, aos olhos de quem a regente traiçoeiramente entregava o reino ao estrangeiro senhor. A REVOLTA CONTRA A REGENTE Eis os planos de alguns nobres: Eliminar Andeiro, o amante da rainha, removê-la da regência e dar o poder a um dos bastardos de Pedro I. Dom João, Mestre de Avis, era a escolha ideal para Nuno Álvares, um cavaleiro de notável fé e coragem, que lutaria pela independência até as últimas consequências. Mas o vacilante e intimidado Mestre de Avis fez os ânimos dos revoltosos desvanecer. Para sorte desses nobres rebeldes, Leonor Teles deu uma forcinha quando decidiu enviar Dom João, o mestre, para guarnecer as fronteiras do Alentejo. O mestre foi pensando que estando ele ausente, Leonor teria caminho livre para manobrar e acusá-lo de traição, e depois eliminá-lo. Ser um dos possíveis nomes a assumir o poder sem dúvida colocava um alvo nas costas do mestre.

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