CCRIAS ILE ASE SANGO | BRUNA BOLDRIN | 2026

Com a palavra @brunaboldrin, filha do CCRIAS há 11 anos. Ela fala das Águas de Oxalá não como evento, mas como travessia interna. Sendo filha de Oyá movimento, vento, deslocamento foi chamada ao contrário: silêncio, pausa, contenção. Não como negação de quem é, mas como reorganização do próprio axé. Recolhida, ela aprendeu outra escuta. Não a do som, mas a do tempo. O corpo desacelera, o gesto reduz, o pensamento se aquieta. O que antes era impulso se torna percepção. E nesse intervalo, algo muda de lugar. Como viver em silêncio num mundo de ruído? Não é ausência de som é presença de sentido. Ao ouvir Bruna com atenção, sem atravessar sua fala, é possível perceber que o silêncio não é vazio. Ele é construção. É onde o sagrado trabalha sem precisar se mostrar. As Águas de Oxalá não apagam o movimento de Oyá elas o assentam. O que retorna depois não é o mesmo corpo. É um corpo que aprendeu a medir o vento. Esse depoimento não pede interpretação apressada. Pede escuta. Porque algumas transformações não acontecem no que é dito acontecem no que a gente consegue sustentar em silêncio. Robson Khalaf