Leopoldo Miguéz - Air et double [Ária e double] (No.4 da Suíte à antiga) (Luís Kolodin, piano)

Apoie o IPB tornando-se assinante: catarse.me/institutopianobrasileiro Support IPB by becoming a backer: patreon.com/BrazilianPianoInstitute Air et double [Ária e double] (No.4 da Suite à l'antique [Suíte à antiga] Op.25), de Leopoldo Miguéz, interpretada por Luís Kolodin. Obra dedicada a seu amigo Alberto Nepomuceno, que também é autor de uma famosa Suíte antiga. Esta é provavelmente a primeira gravação mundial desta obra na versão para piano solo. A Suíte à antiga, de Leopoldo Miguéz, existe também em versão para orquestra e em versão para piano a 4 mãos, feitas pelo próprio compositor. 0:00 Ária 5:24 Double Links para os vídeos originais:    • Leopoldo Miguez - Air      • Leopoldo Miguez - Double   -- Leopoldo Américo Miguéz nasceu em Niterói, em 1850, e foi uma figura de destaque na vida musical brasileira na transição do século XIX para o XX. Tendo vivido parte de sua infância e juventude na Península Ibérica, iniciou seus estudos musicais no Porto, Portugal, com Nicolau Medina Ribas, e mais tarde com Giovanni Franchini. Mesmo tendo demonstrado aptidão musical desde cedo, foi inicialmente direcionado pelo pai à carreira comercial, experiência que posteriormente contribuiu para sua atuação como administrador público. Ao retornar ao Brasil em 1871, iniciou uma trajetória que combinou atividade comercial com atuação musical, até dedicar-se exclusivamente à música a partir de 1881. Sua produção se insere no contexto da transição do Brasil imperial para o regime republicano, período no qual Miguéz teve atuação central. Compôs obras como a Sinfonia em Si bemol, escrita em 1882 para um evento oficial, e o Hino à Proclamação da República, vencedor de um concurso nacional em 1890. Entre suas composições destacam-se também os poemas sinfônicos Parisina, Ave, Libertas! e Promethée, e as óperas Pelo amor! e Os Saldunes, todas marcadas por traços do romantismo europeu. Sua linguagem composicional é frequentemente associada à estética de Richard Wagner e Franz Liszt, embora também dialogasse com modelos estruturais da tradição germânica de Beethoven. Como regente e administrador, Miguéz assumiu em 1890 a direção do recém-criado Instituto Nacional de Música, onde implementou reformas pedagógicas e estruturais de longo alcance. Durante seu mandato, que se estendeu até sua morte em 1902, promoveu a aquisição de instrumentos, livros e partituras, e estabeleceu contatos com instituições europeias de ensino musical. Sua gestão, embora marcada por rigidez, ficou conhecida pela busca de excelência e modernização do ensino, o que levou a um período de grande reorganização do ambiente musical acadêmico no Brasil. Ao longo da vida, Miguéz teve papel importante na divulgação da estética wagneriana no país e foi figura central na criação do Centro Artístico, agremiação que reunia músicos e intelectuais do Rio de Janeiro. Sua obra, voltada predominantemente à escrita orquestral e camerística, evita o uso de elementos temáticos ou rítmicos associados à música de origem popular ou folclórica brasileira, o que a distingue da geração seguinte de compositores nacionais. Sua produção circulou principalmente em meios ligados à elite urbana e instituições oficiais, refletindo tanto seu perfil cosmopolita quanto o contexto político-cultural da Primeira República. Ainda que sua música tenha permanecido por muito tempo pouco executada, a trajetória de Miguéz teve impacto significativo no ambiente institucional e nas práticas musicais do país. Seu legado como diretor do Instituto Nacional de Música e como compositor comprometido com os ideais estéticos do romantismo europeu contribuiu para a formação de um novo padrão de profissionalização e formação artística no Brasil, deixando marcas duradouras na história da música brasileira. -- Nossos agradecimentos a Luís Kolodin; e a Joel Bello Soares (in memoriam) por nos fornecer acesso à partitura. Edição das imagens e do vídeo: Douglas Passoni de Oliveira Curadoria e revisão: Alexandre Dias