Douglas DC-7: O Avião Que Levou Seus Motores Ao Limite

O Douglas DC-7 fez algo que nenhum avião comercial tinha conseguido antes: atravessar os Estados Unidos sem escalas nos dois sentidos. Sete horas e quinze minutos rumo ao leste. Não era recorde. Era a rotina. Só que por trás dessa rotina havia um problema sério que as companhias aéreas preferiam não comentar. Os motores Wright R-3350 turbo-compound rodavam constantemente acima do que foram projetados para aguentar. Os mecânicos tinham um apelido para as turbinas de recuperação de potência: turbinas de recuperação de peças. Porque era exatamente isso que acontecia — as peças não duravam. O consumo de óleo era absurdo. As válvulas de escape quebravam. A temperatura dos cilindros tinha que ser monitorada durante horas em cada voo. O DC-7 não era um avião ruim. Era um avião que a aviação comercial exigia demais — todo dia, em todo voo. Nesse vídeo a gente conta como uma única ligação telefônica bancou o desenvolvimento de um avião inteiro, como a Douglas entregou a melhor aeronave a pistão da história no pior momento possível, e como a era dos jatos não apenas aposentou o DC-7 — ela tornou irrelevante tudo que ele havia sacrificado para existir.