Desigualdade de gênero aspectos históricos e Brasil contemporâneo

A desigualdade de gênero é um problema social sério que está presente no Brasil e em várias outras sociedades do mundo. A luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres é antiga e contou com a participação de inúmeras mulheres ao longo da História. Na Grécia Antiga, a mulher não possuía direitos de participação política e acesso à educação. O principal papel feminino era o cuidado com o lar e a criação dos filhos. Durante a Revolução Francesa, embora as mulheres tenham participado do processo de inúmeras revoltas e lutas populares, não houve a contemplação dos direitos políticos femininos, como o direito ao voto. Por esse motivo, em 1793, Olympe de Gouges publica um texto intitulado "Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã". Este texto, reivindicava a igualdade de direitos entre homens e mulheres: Artigo I – A mulher nasce livre e tem os mesmos direitos do homem. As distinções sociais só podem ser baseadas no interesse comum. Artigo VI – (...) Todas as cidadãs e cidadãos, sendo iguais aos olhos da lei, devem ser igualmente admitidos a todas as dignidades, postos e empregos públicos, segundo as suas capacidades e sem outra distinção a não ser suas virtudes e seus talentos. Artigo VII – Dela não se exclui nenhuma mulher: esta é acusada, presa e detida nos casos estabelecidos pela lei. As mulheres obedecem, como os homens, a esta lei rigorosa. Artigo X – Ninguém deve ser molestado por suas opiniões, mesmo de princípio; a mulher tem o direito de subir ao patíbulo, deve ter também o (direito) de subir ao pódio desde que as suas manifestações não perturbem a ordem pública estabelecida pela lei. Patíbulo: Palanque montado para executar condenados; forca. Artigo XIII – Para a manutenção da força pública e para as despesas de administração, as contribuições da mulher e do homem serão iguais; ela participa de todos os trabalhos ingratos, de todas as fadigas, deve então participar também da distribuição dos postos, dos empregos, dos cargos, das dignidades e da indústria. Artigo XV – O conjunto de mulheres igualadas aos homens para a taxação tem o mesmo direito de pedir contas da sua administração a todo agente público. Pela publicação do texto e outras atuações políticas, em 1973, Olympe de Gouges foi condenada e executada na guilhotina. Atualmente, o Brasil ocupa a 92º posição no ranking mundial de desigualdade de gênero, sendo o 22º (dos 25 países) na América Latina. Posição extremamente vergonhosa para um país da dimensão econômica e política do Brasil. A diferença média entre os salários de homens e mulheres no Brasil é de 40%. As mulheres seguem ganhando muito menos, embora tenham maior nível de escolaridade do que os homens.