Santocas - O Massacre de Kifangondo | 1976, 🇦🇴
canção (homónima) retirada de "Massacre de Kifangondo", EP editado em 1976 pela angolana MPLA/DIP, editora discográfica associada ao MPLA. «António Sebastião Vicente, conhecido por Santocas, foi uma das vozes que vergou o seu canto penetrante ao serviço da canção política e que conseguiu fazer dela uma arma que o tornou famoso no seio de soldados, políticos e cidadãos atentos no desabrochar da independência. “Precisamos fazer imaginações possíveis e pontos de reflexão para tentar entender o sofrimento dos nossos antepassados escravos para construírem, por exemplo, a Fortaleza de São Miguel. Nós somos apenas a continuidade de uma luta. A juventude deveria saber reviver o passado para encontrar o seu grau cultural”», informação recolhida a partir de uma entrevista ao Portal de Angola em 2015. As suas primeiras edições, sempre pautadas pela língua afiada e adornadas por ritmos incisivos tiveram carimbo da mítica editora discográfica N'Gola, poiso obrigatório da alma da canção angolana da década de 70. Entre outros EP's gravou "Juventude / Bento", "Gananciosos" ou "O Mercenarismo Fracassou Em Angola / Bairro Indigena", aquilo pela marca da editora Batuque. Apenas gravou um LP naquela época, o raro "Gloria Eterna Aos Nossos Herois", editado pela Discoteca Polo Norte algures nessa década. O Massacre de Kifangondo é uma menção à batalha de Kinfangondo, batalha travada entre o MPLA (através do seu braço armado: as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola-FAPLA) com o apoio das Forças Armadas de Cuba e a FNLA com o apoio dos exércitos zairense de Mobuto Sese Seko e da África do Sul e precedente já de uma guerra civil que o país começava a sentir ser "inevitável" (dadas as frentes que o queriam governar). A batalha aconteceu a 10 de Novembro de 1975 e vitimou milhares de angolanos. No dia seguinte, a 11 de Novembro, Agostinho Neto, então presidente do MPLA e que chega a participar inclusivamente na edição deste disco, proclama a independência de Angola e torna-se no primeiro presidente da república Angolana. Em 2020 ainda não sabemos o suficiente sobre Kinfangondo, pelo que se torna sempre urgente voltar aqui. Aos sinais dos tempos. E às palavras e ritmos contrastantes de Santocas: "os bárbaros continuam com o massacre // violando, torturando crianças // esses lacaios foram pagos com dólares americanos // esses judas terão que ser julgados // pelo povo, pelo povo". Tudo para que o povo posso julgar. Informações p/ o disco: https://www.discogs.com/pt_BR/Unknown...

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