LAVOURA DOS CÃES E DAS CABRAS Janela para um passado ancestral

Surgiu algures com os primeiros habitantes do Planalto de Monte Longo – um povo pastor que explorava os recursos metalúrgicos do planalto – que deverá ter criado esta pantomina para ridicularizar outros povos recém-chegados, que praticavam um meio de subsistência estranho e incerto: a agricultura. Ao longo da sua remota história, esta tradição foi enquadrada no contexto religioso da época: foi celebrada em honra do deus Vulcano e, posteriormente, celebrada em honra do apostolo São Bartolomeu. Felizmente, assimilou os elementos religiosos sem perder a sua essência. Hoje, de todas as estranhas festividades do dia em que o diabo anda à solta, a Lavoura dos cães e das cabras é, certamente, a tradição mais ancestral, mais peculiar e mais original. É uma representação etnográfica ímpar em Portugal. É uma representação etnográfica que celebra a simbiose entre o pastor e os seus animais. É uma tradição de que a Freguesia de S. Bartolomeu do Rego (Celorico de Basto) se orgulha. É uma janela para um passado ancestral.