Ave, Maria!: Fagundes Varela (poema 160 - Mário Frigéri)
Este poema é uma exaltação à mais amada figura feminina do Cristianismo, a Virgem Santíssima, adorada Mãe de nosso Divino Mestre, evocada em todo o mundo pelos corações que buscam proteção e lenitivo para as suas dores. A expressão Ave, Maria! é constituída de uma interjeição e de um vocativo. A interjeição, Ave, é palavra latina e era utilizada pelos romanos para saudar alguém com alegria: significa Salve! É pronunciada com o som meio aberto, diferente da forma como se pronuncia ave, ou seja, passarinho. Já o vocativo, Maria, é empregado para chamar a atenção da pessoa e sempre haverá vírgula antes dele, se ele estiver no fim da frase, como no caso do título deste poema. Esta saudação Ave, Maria! que era conhecida na época medieval como “Saudação angélica”, é resultado de um longo processo através dos séculos. Tornou-se uma oração composta de duas partes: uma de louvor e outra de súplica. A parte de louvor é tirada do Evangelho segundo Lucas e consiste na saudação do Anjo Gabriel a Maria, presumivelmente às 18 horas de um certo dia há dois mil anos: “Alegra-te, ó cheia de graça, o Senhor está contigo!” e é tirada também da saudação de Isabel, que era prima de Maria e estava grávida de seis meses, quando Maria foi visitá-la: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre!”. Ave, Maria!, como fórmula de oração, começou nos mosteiros, em torno do ano 1000, e foi aos poucos se difundindo, tornando-se uma oração universal após o século XIII. Já a segunda parte, de súplica, foi acrescentada no século XV, e começa assim: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós etc.”. O poema é de Fagundes Varela, poeta fluminense muito sofrido, que viveu apenas 33 anos e em cuja poesia predominam a melancolia e o sofrimento. O poema é uma espécie de oração pelo seu tom evocativo, lamentoso e suavemente triste, e é tão belo quanto aquela oração que nasceu da liturgia católico-romana. Ave, Maria! A noite desce... lentas e tristes Cobrem as sombras a serrania, Calam-se as aves, choram os ventos, Dizem os gênios: – Ave, Maria! Na torre estreita de pobre templo Ressoa o sino da freguesia, Abrem-se as flores, Vésper desponta, Cantam os anjos: – Ave, Maria! No tosco albergue de seus maiores, Onde só reinam paz e alegria, Entre os filhinhos o bom colono Repete as vozes: – Ave, Maria! E, longe, longe, na velha estrada, Para, e saudades à pátria envia, Romeiro exausto, que o céu contempla, E fala aos ermos: – Ave, Maria! Incerto nauta por feios mares, Onde se estende névoa sombria, Se encosta ao mastro, descobre a fronte, Reza baixinho: – Ave, Maria! Nas soledades, sem pão nem água, Sem pouso e tenda, sem luz nem guia, Triste mendigo, que as praças busca, Curva-se e clama: – Ave, Maria! Só nas alcovas, nas salas dúbias, Nas longas mesas de longa orgia, Não diz o ímpio, não diz o avaro, Não diz o ingrato: – Ave, Maria! Ave, Maria! No céu, na terra! Luz da aliança! Doce harmonia! Hora divina! Sublime estância! Bendita sejas! – Ave, Maria! *** (Do livro “Fagundes Varela”, Nossos clássicos, Editora Agir.) “Por mais que Deus seja poderoso, Ele sempre busca a cooperação humana para a realização de Seus desígnios divinos. Por isso Jesus veio ao mundo por meio de Maria, para que o mundo fosse a Deus por meio de Jesus.” (Mário Frigéri) Fale comigo: [email protected]

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