Ana Margarida * IsoLamento

IsoLamento (separação) de Bruno Almeida e Armando Machado (Fado Licas) Gravado a 2 de Abril de 2021 em Lisboa Voz: Ana Margarida Guitarra portuguesa e viola 7cordas: Manel Ferreira Palavras do autor do poema: "Escrevi o poema "Isolamento (separação)" para fado, durante o confinamento. Procurei exprimir emoções e pensamentos, naturalmente ampliados por uma situação nunca antes vivida por nenhum de nós. Versa sobre a separação amorosa entre pessoas, imposta ou escolhida. Sobre a confusão e a perda da noção do tempo. Sobre a cidade vazia de pessoas. Sobre caminhos impossíveis de percorrer na busca pelo outro, e sobre pessoas que não se podem encontrar. Ou já não querem. O desespero criado pela incerteza do isolamento. O amor (ou algo parecido) que não tem eco nem resposta. E a impotência de mudar o que quer que seja num futuro próximo. Os meios técnicos foram propositadamente escassos. Despidos. Confinados. Escolhemos a música do Fado Licas, tradicional e poderoso. É um ambiente de menor que nunca é totalmente negro, que tem sempre algo de esperança e renovação. A Ana Margarida deu-lhe a sua incrível voz com mestria e bom gosto. O fabuloso Manel Ferreira (qual doppelgänger) deu-lhe a guitarra e a viola. O Manel também coordenou o som e imagem. Um enorme obrigado a ambos. Um agradecimento especial à Ana e à maravilhosa poetisa Maria Carson pela confiança que me deram para avançar com estas palavras, que serão publicadas brevemente. Obrigado ao Filipe Pereira pela "consultoria". O Fado é tramado… até me pôs a escrever para ele." [Bruno Almeida] IsoLamento (separação) Sombras pelos telhados da cidade, Recordam novo dia de amanhã. O tempo não me traz mais tempestade, Que a de hoje nos tornou a esperança vã. P’la rua sobram passos que eu contava, Na esquina não te vejo em contra-mão. Sonhando que de noite te encontrava, No escuro chorei mais esta canção. Se a noite me confessa à luz do dia, Que a tarde me fará por ti sofrer, Fora eu livre e sonhos escreveria, Nas nuvens, onde todos possam ler. Digo em paz, Amor, que esta saudade, É mais que qualquer fado já cantou. Persisto, mas anseio a liberdade, Pois, de só, meu coração já se cansou.