O Que a Voyager 1 Está Realmente a Ver na Borda do Nosso Sistema Solar

A mais de 24 mil milhões de quilómetros da Terra, a Voyager 1 é o objeto feito pelo homem mais distante alguma vez lançado no espaço. Após quase cinco décadas de viagem, a nave espacial cruzou a fronteira conhecida como heliopausa, deixando para trás a bolha protetora criada pelo Sol e entrando no espaço interestelar. Embora a Voyager 1 já não capture imagens, os seus instrumentos continuam a enviar dados valiosos de uma região que nenhuma nave espacial tinha explorado antes. Na borda do nosso Sistema Solar, a Voyager 1 está a detetar um ambiente completamente diferente daquele que rodeia os planetas. A nave mede fluxos de partículas carregadas, campos magnéticos e raios cósmicos que se originam para lá da influência do Sol. Estas observações ajudam os cientistas a compreender como o nosso Sistema Solar interage com o vasto meio interestelar — a fina mistura de gás, poeira e partículas energéticas que preenche o espaço entre as estrelas. Uma das descobertas mais surpreendentes da Voyager 1 foi que o campo magnético para lá da heliopausa se alinha estreitamente com o campo dentro do Sistema Solar. Os cientistas esperavam uma mudança mais dramática. A sonda também detetou um aumento nos raios cósmicos de alta energia que entram a partir do espaço profundo, fornecendo pistas importantes sobre a estrutura da nossa vizinhança galáctica e as forças que a moldam. Mesmo após quase 50 anos, a Voyager 1 continua a expandir o conhecimento da humanidade sobre o cosmos. Alimentada por uma fonte de energia nuclear que se desvanece lentamente, a nave espacial poderá continuar a transmitir dados durante mais alguns anos antes de ficar em silêncio para sempre. No entanto, muito depois de a comunicação terminar, a Voyager 1 continuará a derivar através da Via Láctea durante milhões de anos, transportando consigo um disco de ouro que contém sons e saudações da Terra — uma cápsula do tempo da existência da humanidade a viajar entre as estrelas.