Maria da Conceição Tavares: instabilidade econômica marcará o novo século - Vídeo 3

Neste vídeo a continuidade dos Seminários Brasil Século XXI, iniciados em 04/07/1988. O debate reúne reflexões de filósofos, sociólogos e economistas sobre os limites da razão, da linguagem, da política e das grandes ideologias contemporâneas. Os participantes defendem que, embora a linguagem nunca seja totalmente transparente, é dever dos intelectuais buscar clareza, coerência e responsabilidade ética ao comunicar ideias. No campo político, discutem-se as contradições do liberalismo e da participação democrática, mostrando que a política não pode ser reduzida a regras formais, pois envolve disputas de poder e assume significados diferentes conforme o contexto histórico e social de cada país. Também é analisada a crise do marxismo, interpretada por Edgar Morin como o colapso da crença em uma "salvação histórica" garantida por leis da história. Para ele, o futuro é marcado pela incerteza, pela complexidade e pela imprevisibilidade, o que exige abandonar visões deterministas. Maria da Conceição Tavares ressalta a atualidade de Marx como economista, aproximando sua obra da de Keynes por ambos reconhecerem a instabilidade e a incerteza dos sistemas econômicos. Também se destaca a tensão permanente entre igualdade e liberdade, considerada um dos principais desafios da teoria política moderna. Na conclusão do seminário, a discussão volta-se para a filosofia da linguagem e da subjetividade. Questiona-se a concepção clássica de um sujeito plenamente racional e autônomo, propondo compreender o "eu" como constituído nas relações sociais e nas práticas compartilhadas. Inspirado em Wittgenstein, o debate sustenta que a comunicação depende de formas de vida, regras implícitas e conhecimentos não totalmente expressáveis em proposições. Assim, o "não dito" não representa incomunicabilidade, mas o conjunto de pressupostos que torna possível a linguagem. Os seminários promovidos pela Unicamp entre 1988 e 1989 realizaram o debate sobre os grandes desafios do desenvolvimento brasileiro no contexto da transição para a década de 1990. Sem a intenção de fazer previsões, os palestrantes e debatedores promoveram a discussão dos instrumentos conceituais disponíveis para compreender a passagem para o novo século, reafirmando o papel da universidade como espaço de reflexão crítica e planejamento de longo prazo. Entre as principais abordagens, temáticas como modernidade, racionalidade, liberalismo, funcionalismo, marxismo, sujeito e utopias. Os seminários foram divididos em 5 módulos: Tendências Mundiais, Perspectivas da Economia Brasileira, Ciência e Tecnologia na Sociedade Tecnológica, Cultura: Produção e Representação Simbólica da Sociedade e Política e Sociedade no Brasil: Tendências e Perspectivas. Acervo - Arquivo da Secretaria Executiva de Comunicação