QUANDO A SAUDADE APERTA

QUANDO A SAUDADE APERTA Eu sento aqui no pé da varanda E fico vendo o dia morrer O sol se deita atrás da serra Do jeito que eu aprendi a viver Já fui moço, já fui ligeiro Já corri atrás de ilusão Mas foi na lida com o gado Que eu entendi meu chão Meu pai falava baixinho: “Filho, escuta o que eu vou dizer… Quem perde raiz na vida Se perde sem perceber” Hoje o mundo corre apressado Ninguém tem tempo pra olhar Um passarinho pousando Ou o vento no milharal Mas eu aprendi com o tempo Que o pouco já é demais Um café quente na mesa E a benção dos meus pais E eu fico aqui… no pé da varanda Com o coração em paz Porque riqueza de verdade É aquilo que a gente traz Não tá no ouro, nem na fama Nem no que o dinheiro faz Tá no cheiro da terra molhada E no abraço que não se desfaz Já perdi gente na vida Que nunca mais vai voltar Mas deixaram um pedaço deles Em tudo que eu sei amar E quando a saudade aperta Eu olho pro céu e sei Que quem vive com verdade Nunca se vai por inteiro… eu sei Se um dia eu for embora Não precisa nem chorar É só sentar nessa varanda E lembrar de escutar… Que a vida é simples demais…