Digão, vocalista dos Raimundos, no Conversa com Roseann Kennedy
Músico eclético, Digão já foi baterista e hoje é guitarrista, compositor, vocalista e líder dos Raimundos. Nesta Conversa com Roseann Kennedy, ele fala da carreira, dos novos projetos da banda, do uso de drogas e da saída de Rodolfo, antigo vocalista da banda, que decidiu seguir carreira como cantor gospel. Das bandas que abrilhantaram o cenário do rock nacional nas últimas décadas, o Raimundos foi uma das mais importantes. Com trinta anos de estrada, eles deixaram a sua marca na cena do rock e hoje o quarteto brasiliense, formado por Digão, Canisso, Marquim e Caio Cunha, vive um novo momento. O grupo, que já teve diversas formações, sempre soube se reinventar. “Desde que o Raimundos foi criado, de 1987/1988, a banda sofreu transformações, isso aí é um carma nosso”, reconhece Digão. Entre as realizações mais recentes do grupo está o DVD "Acústico", feito com o repertório clássico dos anos 1990. O trabalho traz versões de grandes sucessos da banda, com novos arranjos, e contou com a ajuda dos fãs para escolher o repertório por meio de uma enquete. Para Digão esse é “o momento de mostrar o Raimundos desnudo” para todo o país e chamar a atenção para as melodias e as letras do grupo. A banda já lançou mais de 14 álbuns e traz no DVD um repertório com 27 faixas. Conta com a participação especial de grandes nomes, como Dinho Ouro Preto (Capital Inicial), Alexandre Carlo (Natiruts) e da cantora Ivete Sangalo, que faz uma mistura de estilo no trabalho da banda. E mesmo numa época onde o rock não está tão proeminente e os topos das paradas estão tomados por outros estilos musicais, Digão enfatiza que o Raimundos não se rende ao estilo comercial: “A gente nunca foi uma banda que correu atrás do estereótipo. O Raimundos sempre ditou a regra dele. E a gente tem um estilo, que é o lance do punk rock, do Ramones, do The Toy Dolls, do Suicidal, daquela coisa pesada misturado com forró, com aquela pegada brasileira, com o jeito de cantar que é muito particular do Raimundos”. Digão também comenta a saída de Rodolfo, que deixou o grupo em 2001 para investir na carreira gospel. “A saída do Rodolfo foi um baque para todos", avalia. E completa: “Ele se preparou e não deixou que ninguém se preparasse. Isso que ficou ruim. A mágoa, graças a Deus, eu perdoei, mas eu não esqueci”. Sobre o uso de drogas, Digão nega que tenha havido problemas por esse motivo dentro do Raimundos e é enfático: “Eu nunca vi no Raimundos uma coisa de drogas pesadas como cocaína, o pessoal se acabando, virando noite por causa de cocaína. A gente fumava maconha... não tenho nada contra quem fuma. Agora, em relação a drogas pesadas, eu tenho restrição, eu não curto. Eu parei de fumar maconha já tem 14 anos. Parei por opção minha até porque eu achei que era a minha hora de parar, até pelos meus filhos”. O músico acrescenta: “Careta eu não sou, porque eu sou doido. Eu sou um cara doido. Mas eu não uso drogas”. A respeito da fase atual do grupo, Digão descreve o Raimundos como uma banda "pé no chão", fiel ao seu estilo e à sua trajetória. E conclui, agradecido: “É uma banda que ainda tem muito pra dar. Eu não acho que é uma banda que teria que ter acabado. Quando houve a ruptura lá em 2001, graças a Deus eu continuei, foi a coisa certa, porque hoje se você for olhar para quem saiu da banda, não fizeram nada novo”. Para ele, o grupo está construindo uma nova história, sem esquecer as conquistas do passado. Ao falar de sua inquietude natural, Digão parafraseia um dos maiores sucessos da banda e declara com um sorriso no rosto: “A gente sempre quer ver o oco... Às vezes a gente não consegue, mas a gente sempre quer ver”. E finaliza, satisfeito: “Eu amo tocar. Eu gosto muito do que eu faço. Eu não trabalho nenhum dia, todos os dias eu estou me divertindo”.

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