A história da música Revoluções por Minuto, censurada pela nova república. Rock anos 80

A banda de rock que teve música censurada na democracia. hoje vamos contar a história da música Revoluções por Minuto, que foi censurada em 1985, e dá nome a uma das bandas mais importantes do rock nacional. A música que dá nome à banda é uma das faixas politizadas do primeiro álbum, onde mostra o contexto social e político do país naqueles anos, principalmente no início dos anos 80. As ditaduras de vários países vizinhos estavam acabando, como os casos do Uruguai e da Argentina, a América Latina caminhava para um processo democrático. Existia um receio e o medo que as guerrilhas voltassem, para enfrentar os regimes autoritários, e no caso dos Estados Unidos, se faz referência que estiveram muito atentos a estes movimentos, relacionados com ideologias de esquerda. No contexto global, os Estados Unidos e a União Soviética estavam confrontados pela Guerra Fria, onde a possibilidade de uma nova guerra sempre esteve latente, daí os versos: “Ouvimos gritos vindos da Ilha do Norte”, “Ensaios pra Dança da Morte”. Caiu o santo do pau oco". A frase, presente na letra que também diz "Viola o canto ingênuo do caboclo, reflete a crítica social que caracteriza a obra do RPM, mas tem raízes históricas que remontam ao período colonial brasileiro. Os contrabandistas utilizavam o interior das imagens religiosas para transportar ouro e pedras preciosas, escapando da fiscalização colonial. A expressão "santo do pau oco" é hoje utilizada para descrever pessoas que aparentam virtude, mas escondem intenções desonestas. As referências também são culturais e políticas, a expansão da globalização fica muito clara nos versos “Agora a China bebe Coca-Cola.” Contrasta o consumismo internacional com problemas locais, como a pobreza e o uso de substâncias proibidas. “Aqui na esquina cheiram cola”: Finaliza com referência à ascensão da tecnologia e dos bens de consumo, e à pirataria como reflexo das desigualdades econômicas. Tem disco pirata/Tem videocassete até. A última linha é uma ironia sobre a obsessão pelo progresso material e pelos produtos industrializados, em contraposição aos problemas sociais e ambientais, “Biodegradação/Aromatização tem”. #RevoluçõesporMinuto #RPM #Musicacensurada #rockanos80 #ditaduramilitar #governo #Biquinicavadao #PauloRicardo #LuizSchiavon #FernandoDeluqui #PauloPagni #RPM1985