Caminhos do Peabiru: conexão ancestral ou produto político?

Muito antes da colonização, povos indígenas já percorriam trilhas que cruzavam toda a América do Sul. Entre elas, o Caminho do Peabiru — uma rota milenar que ligava o litoral do Brasil aos Andes, conectando Santa Catarina e São Paulo à cidade de Cusco, capital do Império Inca. Mais do que uma estrada, o Peabiru também era um caminho espiritual e cultural, percorrido por povos Guarani em busca da Terra sem Mal, e um símbolo da profunda conectividade indígena que existia no continente que demonstra o conhecimento geográfico, espiritual e simbólico desses povos muito antes da chegada dos europeus. Mas hoje, o nome “Caminho do Peabiru” voltou à pauta — e não apenas por interesse histórico. Projetos políticos e turísticos tentam reconstruí-lo, muitas vezes sem o devido respeito à memória e à presença indígena, transformando um patrimônio vivo em produto. Nesse vídeo, vamos explorar o que realmente foi o Caminho do Peabiru: suas origens, sua importância para as culturas indígenas e como ele se tornou palco de disputas entre arqueologia, espiritualidade e economia. Estamos valorizando a história indígena — ou apenas reinventando-a para o turismo? BIBLIOGRAFIA: Parellada, C. (2021). Arqueologia do Peabiru: entrelaçando caminhos e conflitos. Habitus, v. 19, n. 2. p. 276 - 301 Sismanoglu, A. (2022). Pelos caminhos de Peabiru: (re)interpretação e mapeamento como uma reflexão do ambiente construído. Dissertação de mestrado, Universidade do Minho. Zamboni, E. Sabino Días, M. Finocchio, S. (Orgs.) (2014): PEABIRU. Um caminho, muitas trilhas. Ensino de História e Cultura Contemporânea. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 199 pp. Rocha, A. (2017). Os caminhos de Peabiru: história e memória. Dissertação de mestrado, Universidade Estadual de Maringá. Rocha, A. (2015). O caminho de Peabiru: implicações em seu tombamento como patrimônio material e imaterial. VII congresso internacional de História. p. 1433 - 1445. Melatti, R., Heck, B. O Caminho do Peabiru. Machado, V. (2024). O Caminho de Peabiru como espaço de disputa turística e a conexão com o passado histórico. Revista Discente Ofícios de Clio, Pelotas, vol. 9, n° 16. p. 248 - 260 Rosalvo, I., Machado, A. (2018). Na estrada da terra sem mal guarani: história, me mória e cosmologia. FACES DA HISTÓRIA, Assis-SP, v.5, nº2, p. 244-261 Colavite, A., Barros, M. (2009). Geoprocessamento aplicado a estudos do caminho de Peabiru. Revista da ANPEGE, v. 5, p. 86 - 105 Melià, B. (1990). A terra sem mal dos Guarani: economia e profecia. Revista de Antropologia, Vol. 33, p. 33-46 Lojinha na Amazon: https://www.amazon.com.br/shop/arqueo... → faça suas comprinhas: https://amzn.to/47kxdzb Capítulos: 00:00 intro 03:49 a viagem de Aleixo Garcia 05:58 as origens do Peabiru 05:58 usos & múltiplos simbolismos 09:46 reconstruindo o Peabiru 12:10 interesse arqueológico ou produto político? 16:27 o turismo arqueológico no Brasil