Castelo de Algoso, um castelo que nos traz memórias dos inícios da nacionalidade - Portugal

No alto de um penhasco imponente, se destacando por entre uma paisagem agreste, este pequeno fortim dos inícios da nacionalidade portuguesa, em posição dominante sobre o cabeço da Penenciada, domina a planície envolvente. O Castelo de Algoso localiza-se a sul da povoação de Algoso, na freguesia de Algoso, Campo de Víboras, no município de Vimioso, distrito de Bragança, em Portugal. Encontra-se a 690 metros de altitude, ao lado da ribeira da Angueira. Os castelos de Bragança, Outeiro, Algoso e Castelo de Miranda do Douro, apoiados pelas pequenas fortalezas da Atalaia de Candaira, Castelo de Rebordãos, Vimioso e Penas Roias, formavam a linha defensiva do nordeste do Reino de Portugal com o Reino de Leão, que em 1493 o rei João II de Portugal chamou o “corregimento das fortalezas de Trallos Montes”. A linha defensiva continuaria a sul com o Castelo de Freixo de Espada à Cinta (1152) e terminaria com o Castelo de Alva. Castelo roqueiro construído no século XII, foi, de início, centro da autoridade real em Terras de Miranda. Por volta de 1224, D. Sancho II doou o castelo aos Hospitalários, que aqui fizeram significativas obras, nomeadamente a torre de menagem e a cisterna abobadada que ainda hoje subsistem. A partir do final do séc. XIII torna-se um castelo de 2ª linha, sendo abandonado no séc. XVII. O castelo de Algoso é uma das mais importantes fortalezas medievais do Leste transmontano, evocadora das guerras com Leão, das tentativas do monarca português em afirmar a sua autoridade na região e, finalmente, da comenda hospitalária que aqui se estabeleceu em 1224. A história do castelo de Algoso tem início no século XII, em altura ainda incerta, mas que se poderá situar “durante a fase final do reinado de Afonso Henriques, quando Sancho I se encontrava já associado ao exercício do poder régio”. Por essa altura, e de acordo com informações das Inquirições de 1258, o castelo foi construído por Mendo Rufino (ao que tudo indica um dos apoiantes da causa de Afonso Henriques contra D. Teresa, e que, nas décadas centrais do século XII, teve grande protagonismo no Leste transmontano), em troca da vila de Vimioso. Embora os autores mais antigos acreditem que a primitiva ocupação humana de seu sítio remonte a um castro pré-histórico, a recente pesquisa arqueológica confirmou que a mesma ocorreu em diversas fases desde o período Calcolítico até à ocupação romana, embora não necessariamente em termos militares. Também confirmou que, antes de a Idade Média, aqui ter sido erguido o castelo, foram várias as fases de povoamento, identificando-se materiais dos períodos calcolítico (em particular moldes de fundição de machados de bronze), proto-histórico e romano (correspondendo, estes últimos, a elementos cerâmicos aparentemente associados a uma lixeira do século IV e não a uma efetiva presença militar.