Bourdieu em Pílulas - (ep. 3 - Habitus)

O Blog do Labemus publica o episódio número três da série de vídeos e textos Bourdieu em Pílulas. Aqui, Gabriel Peters discute a célebre noção bourdiesiana de habitus, enquanto a ideia com que o autor trata a relação entre objetividade e subjetividade, bem como elabora a dimensão prática da racionalidade estratégica. No primeiro aspecto, está em jogo a interdeterminação entre os agentes individuais e as estruturas sociais. Já no segundo, é central a separação entre o exame teórico das condutas e propriamente seus motores reais na subjetividade, muitas vezes infraconscientes. Acompanhando este vídeo, o terceiro texto da série no seguinte link: https://blogdolabemus.com/2020/03/05/... Trecho selecionado: "Por um lado, o habitus representa a interiorização do social na subjetividade individual, o mecanismo pelo qual as circunstâncias sociais de vida nas quais o indivíduo foi socializado tornaram-se “sedimentadas” nas disposições de sua mente e de seu corpo. Nesse sentido, o habitus é o social feito subjetividade, graças à transformação de condições sociais objetivas em modos subjetivos de ser adaptados àquelas condições – a transmutação, por exemplo, da penúria econômica em frugalidade no consumo ou do acesso fácil a produtos da alta cultura em sensibilidade estética “espontânea”. Por outro lado, sendo a marca da sociedade no indivíduo, o habitus é também o que impulsiona e habilita o agente individual a imprimir suas marcas no mundo social. O habitus não é apenas socialmente constituído por estruturas objetivas, mas socialmente constituinte de tais estruturas quando mobilizado nas práticas dos agentes. Para citar o famoso (ou infame) malabarismo linguístico de Bourdieu, os habitus são “estruturas estruturadas predispostas a funcionar como estruturas estruturantes” das mesmas estruturas que os estruturaram (Bourdieu, 1983: 61)."