Uma Caverna na Sibéria Continha ADN de uma Espécie que Ninguém Sabia que Existia

Em 2008, arqueólogos russos encontraram um diminuto fragmento de osso de dedo dentro da Caverna Denisova, nas montanhas de Altai, na Sibéria. Em 2010, o Instituto Max Planck sequenciou o seu ADN mitocondrial — e ele não correspondia a nada conhecido. Não era Homo sapiens. Não era Neandertal. Pertencia a uma espécie humana completamente desconhecida que se tinha separado da nossa linhagem há mais de um milhão de anos. Eles foram chamados de Denisovanos: um ramo completo da humanidade identificado não por um crânio ou esqueleto, mas por um osso do tamanho de um grão de arroz e um único dente molar. A caverna revelou algo ainda mais extraordinário: um fragmento de osso de uma adolescente cuja mãe era Neandertal e o pai era Denisovano — a primeira evidência direta de um híbrido de primeira geração entre duas espécies humanas arcaicas. O ADN denisovano ainda vive hoje: até 6% do genoma dos melanésios e aborígenes australianos, e vestígios em populações da Ásia Oriental e Sudeste Asiático. O seu gene de sobrevivência em grande altitude, EPAS1, foi herdado pelos tibetanos e ainda lhes permite prosperar acima de quatro mil metros. Uma única caverna, um único osso, uma espécie que reescreveu a evolução humana. 🔔 Inscreva-se para mais histórias onde o ADN muda tudo.