DISCURSO - Mons. Walfredo Gurgel - Ouro Branco (RN), 02/10/1969 - Inauguração da energia elétrica
DISCURSO DO MONSENHOR WALFREDO DANTAS GURGEL, ENTÃO GOVERNADOR DO RIO GRANDE DO NORTE, POR OCASIÃO DA INAUGURAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA DE PAULO AFONSO, NA CIDADE DE OURO BRANCO, EM DOIS DE OUTUBRO DE MIL NOVECENTOS E SESSENTA E NOVE [...] Apareceu, um dia, pelas estradas do Rio Grande do Norte, naquele tempo de batina – e não com os trajes modernos do sacerdote, que é o clergyman – , batina cheia de poeira, percorrendo as estradas do Rio Grande do Norte, batendo nas portas de cada casa, falando a cada coração e pedindo um pouco de confiança. E este povo acreditou no padre! O povo acreditou neste homem, encanecido por tantos anos de ensino, a serviço da juventude; este homem, que tinha recebido tudo do Rio Grande do Norte, ocupando as mais altas posições, no Congresso Nacional, como deputado e como senador, que havia sido vice-governador do Rio Grande do Norte; pois esse homem, que sou eu, pediu ao povo, mostrou o desejo de trabalhar pelo Rio Grande do Norte e o povo confiou. E se eu ficasse de braços cruzados, indo a cada cidade e dizendo “Muito Obrigado”, eu não tinha cumprido o meu dever, não tinha realizado aquilo que o povo esperava. Por isso, estou indo às cidades para inaugurar obras do governo. Não estou inaugurando pedras fundamentais. Colocar uma pedra no chão e dizer que vai fazer não significa nada; talvez seja uma decepção para o dia de amanhã. Estamos é realizando, aqui, no Seridó, minha terra, a que tanto eu amo, onde nasci, onde passei a minha infância, onde tenho vivido os melhores anos da minha existência. Aqui eu tenho dado um pouco da minha alma, tenho dado um pouco do meu coração: as pontes que eu já construí, aquelas que nós estamos construindo, as cidades que nós eletrificamos. Durante o meu governo, chegou energia de Paulo Afonso a Caicó, São Fernando, Jardim de Piranhas, Timbaúba, São José do Seridó, Lagoa Nova, Equador e, hoje, para felicidade minha, para alegria do povo desta terra, chega energia de Paulo Afonso a Ouro Branco. [...] Eu, hoje, poderia vir a Ouro Branco e vim de cabeça erguida, não para dar um “Muito Obrigado” àqueles que votaram em mim, mas para dizer: eu estou retribuindo com trabalho, com progresso, a confiança que, um dia, o povo depositou nas urnas, escolhendo-me para dirigir os destinos do Rio Grande do Norte. E continuarei, meus amigos, no tempo que ainda me resta de governo, eu não descansarei, porque prometi a Deus, no dia de minha posse, dar tudo de minha alma e do meu coração, para a felicidade do povo do Rio Grande do Norte. Continuarei a minha missão e, quando, um dia, deixar o governo, eu posso, diante de Deus, ajoelhado, com a consciência tranquila, eu posso dizer: cumpri o meu dever, combati o bom combate, sinto-me recompensado por ver o povo de minha terra feliz. É esta a minha missão; é esse, o meu destino, e agradeço a Deus me ter proporcionado condições para assim o fazer. [...] Eu costumo dizer que o sertanejo é um teimoso. E é mesmo! Caiu a chuva, o cheiro da terra molhada se espalhou, o relâmpago riscou no horizonte, o ronco do trovão chegou aos nossos ouvidos, todo mundo vai plantar, todo mundo vai trabalhar. É o destino e aí está a felicidade e a grandeza do nosso povo. Praza aos céus que melhores dias venham para nossa terra, que as crises atuais se transformem em abundância no dia de amanhã. E, por isso, nós continuaremos a trabalhar. O governo também tem dificuldades, nós temos horas de aflições, quando vemos o povo necessitar do governo e o governo sem nada poder fazer, por falta de recurso. Mas isso não é motivo para desanimar! O homem que caminha, que quer subir a uma montanha, não volta se escorrega, se cai ou se fere os pés numa pedra; ele continua, porque tem um objetivo na vida. É este o nosso destino: é caminhar sempre, subir sempre cada dia para que, do alto, possamos contemplar horizontes mais belos e mais vastos. [...] ______________________________ Áudio e fotos: Acervo pessoal do P. Gleiber Dantas - @gleiberdantas Edição: Maltez Azevedo de Souza Júnior – @maltezazevedo Agradecimentos aos sobrinhos do Mons. Walfredo Gurgel, entre os quais: Cina Diniz, José Daniel Diniz, Jurema Diniz, Gentil Homem Filho e Aliete Gurgel. TRABALHOS sobre MONSENHOR WALFREDO DANTAS GURGEL: MEDEIROS, Bianor. Um símbolo. Brasília: Centro Gráfico do Senado, 1976. MEDEIROS, Bianor. O poeta. Brasília: Centro Gráfico do Senado, 1989. DINIZ, José Daniel. O governo do Monsenhor Walfredo Gurgel. Natal: ed. do autor, 2016. DISSERTAÇÃO DE MESTRADO de minha autoria: “Análise discursiva do governo do Monsenhor Walfredo Gurgel (1966-1971)” http://www.uern.br/controledepaginas/...

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