Filme "Engraçadinha Depois dos Trinta" - (1966)

"Engraçadinha Depois dos Trinta" - (1966) Sinopse do Filme: Insatisfeito no casamento, Odorico Quintela passeia pela cidade em busca de flertes eventuais. É quando conhece a estudante Silene. Mas, ao ser apresentado a sua família, se encanta por Engraçadinha, a jovem mãe da moça. Gênero: Filme, Drama Dirigido por: J. B. Tanko. Elenco: Cláudio Cavalcanti, Vera Vianna, Fernando Torres, Irma Álvarez, Carlos Eduardo Dolabella, Nestor de Montemar, Cícero Costa, Mário Petraglia, Yolanda Cardoso, Rubens de Falco Tanko foi fiel a Nelson Rodrigues, mas deu seu toque particular, conseguiu transformar o filme num estudo sobre a natureza do pecado e do desejo. Os personagens são ingênuos pecadores, ou às vezes, sórdidas crianças. É nesse limite esguio entre a inocência e o pecado (Fernando Torres ligando de seu gabinete simplesmente por ter recebido um beijo na testa; a filha de Engraçadinha dizendo no táxi que não sabe quem lhe tirou a virgindade; o personagem de Cláudio Cavalcanti matando o cara que quer lhe atrapalhar a vida, etc.) que o cinema de Tanko extrai uma simplicidade que une a poesia do dia-a-dia com o desleixo do cinema mais comercial. Tudo isso tem uma expressão síntese, na ótima cena em que Engraçadinha faz amor no capô de um carro no meio de um matagal no meio da chuva. A mise-en-scene de Tanko é simplicíssima: não há exageros nem mesmo música, mas tudo converge a poesia e a um desejo reprimido de libertação, apenas pela dramaturgia, como só os mais sábios diretores sabem fazer. Engraçadinha tbem tem cenas de incrível intimidade, como quando Cláudio Cavalcanti leva a filha de Engraçadinha para o quarto de motel na Barra da Tijuca, ou quando ele conversa com o garçom do bar do motel sobre que comprimido ele deve tomar, receoso de ficar impotente na hora H. Ou ainda na sublime (sublime mesmo), na impressionante seqüência em que Cláudio Cavalcanti pega um ônibus fugindo do crime, e que Tanko corta (mais de uma vez) para a janela do ônibus vazia: um requinte de linguagem raro a um cineasta que sempre teve carne de terceira às mãos. Tanko sabia das coisas: nunca foi gênio, era artesão, e esse foi seu lugar dentro da história do cinema brasileiro.