Vila Franca de Xira um pouco de Nostalgia e História

Ao longo da Idade Média e até meados do século XIX, no lugar do actual concelho de Vila Franca de Xira existiram quatro concelhos distintos: Povos (actualmente com uma povoação da freguesia de Vila Franca de Xira), Alverca, Alhandra e Vila Franca. As alterações surgiram e, em 1855 todos foram integrados num único concelho - Vila Franca de Xira. O concelho levou a cabo algumas disputas com o homólogo de Loures pela posse de Santa Iria de Azóia que durante muito tempo fez parte do município de Alverca. Em 1886, foi anexado a Loures tendo-se separado em 1916 a freguesia de Póvoa de Santa Iria que, em 1926 passou a fazer parte integrante do concelho de Vila Franca de Xira. Em Vila Francadeu-se, em 1823, o movimento revoltoso da Vilafrancada – um golpe de estado - , levada a cabo pelo Infante D. Miguel contra a Constituição de 1822. Na sequência desses acontecimentos, Vila Franca de Xira foi renomeada para Vila Franca da Restauração; o nome, contudo, não durou, posto que após o fracasso da Abrilada, no ano seguinte, voltou à forma original. A elevação a cidade aconteceu a 28 de Junho de 1984 no decorrer do segundo pacote de elevação a cidades do regime democrático em Portugal. O primeiro Foral foi atribuído, pelo rei D. Sancho I, a Povos, Vila Franca de Xira, em 1195. Estava-se em plena reconquista cristã. No início do século XIII a instituição de concelhos continuou sendo que em 1203 o bispo D. Soeiro de Lisboa deu foral a Alhandra. Em 1206 D. Froila Hermiges recebeu a herdade de Cira, à qual dará foral em 1212. A designação de Vila Franca de Xira começa a aparecer nos documentos a partir do século XIV. D. Manuel I reformou os forais de Vila Franca de Xira, Povos e Castanheira, em 1510. No final do antigo regime, em 1729, surgiu fábrica de curtumes em Povos. A primeira deste ramo no País. No início do século XIX toda a região foi abalada pelas invasões francesas. Uma vez mais, a localização estratégica da área foi posta em relevo na construção do sistema defensivo, construído em grande sigilo entre 1810-1812, para fazer face ao invasor francês que se iniciava neste concelho e que haveria de ficar conhecido por linhas de Torres Vedras. Sucessivamente, foram extintos os velhos concelhos existentes na região e que tinham todos raízes medievais: em 1836 deu-se a extinção do concelho de Povos e no ano seguinte desapareceu o de Castanheira. Em 1855 a reforma varreu os concelhos de Alhandra e de Alverca, passando doravante Vila Franca de Xira a integrar toda esta área administrativa. Em 1886, com a extinção do concelho dos Olivais, a freguesia de Vialonga passou para o concelho de Vila Franca e, finalmente, já no século XX, em 1926, a freguesia de Póvoa de Santa Iria foi também anexada alargando para sul a área do município. A chegada do comboio em 1856, no âmbito da abertura do primeiro troço de linha férrea do país - de Lisboa ao Carregado - marcou o início de um novo período no desenvolvimento da região. Em 1892 iniciaram o seu funcionamento em Alhandra duas fábricas têxteis, sendo uma de tecidos de linho e juta e outra de fazendas de lã, localizada esta última na Quinta da Figueira, onde, apesar de desactivada, ainda hoje se mantém. Também em Alhandra, abriu, em 1894, a fábrica de cimentos fundada por António Teófilo de Araújo Rato que, após sucessivas transformações, daria origem à actual fábrica da Cimpor. No virar do século instalou-se a moagem industrial e ainda uma fábrica de cinta. Os efeitos da implantação da industrialização no já então consolidado concelho de Vila Franca de Xira tiveram gradual e progressiva repercussão demográfica.