ALQUIMIA: A Ciência do Cosmos, Ciência da Alma de Titus Burckhardt
"Alquimia: Ciência do Cosmos, Ciência da Alma", de Titus Burckhardt, é uma obra que explora a alquimia como um saber espiritual profundo, indo além da mera transmutação de metais e da química moderna. O livro se inicia mostrando que a história não foi muito benevolente com a Alquimia, porque considera que este saber conseguiu permanecer presente na cultura humana graças à ganância do homem querendo satisfazer sua vontade de ficar rico transmutando metais menos nobres em prata e ouro. Mas sabemos que os alquimistas tinham uma meta muito mais nobre ao buscar este saber que, por uma forte conexão com o hermetismo, considera o Princípio de Correspondência, que nos possibilita uma analogia entre tudo o que ocorre no físico, por reflexo, se repetir no psicológico. Esta interação, segundo Burckhardt, pode ser comparável, na filosofia comum como a interação entre o Sujeito e o Objeto, ou seja: O Subjetivo e o Objetivo, O Espirito e a Matéria. Seguindo esta mesma linha de analogias, não é atoa que o ouro e a prata são metais sagrados e nobres comparáveis ao sol e a lua, fazendo-se interagir a Alquimia com a Astrologia. Com o tempo a Alquimia e a Astrologia foram sendo desconsideradas como ciência e estas relações foram consideradas pseudociências e as analogias tão bem relacionadas era consideradas meras alegorias sem sequer estabelecerem a tradicional interação expressa de algum instinto coletivo inconsciente e irracional, mas que se estabeleça por um viés simbólico, num sentido mais transcendente que intelectual e lógico. Burckhardt afirma que “O verdadeiro simbolismo depende do fato de que certas coisas que podem diferir entre si em matéria de tempo, espaço, natureza material e muitas outras características limitativas podem possuir e exibir as mesmas qualidades essenciais. Aparece assim como reflexos, manifestações ou produções diversas da mesma realidade, que em si mesma é independente do tempo e do espaço.” “Assim, não é bem correto dizer que o ouro representa o sol e a prata, a lua; antes, tanto os dois metais nobres quanto os dois luminares são ambos símbolos das mesmas duas realidades cósmicas ou divinas.” Se recorrermos a Jung, equivale dizer que não há uma relação de causa e efeito entre Ouro e Sol ou entre Prata e Lua. Existe, na verdade, uma relação de Sincronicidade, e uma causa em comum, em uma instância numênica, ou transcendente, que é o Inconsciente Coletivo. Para Burckhardt, a alquimia é um processo de transformação que reflete tanto no cosmos quanto na alma humana, unificando a ciência e a espiritualidade. Ele apresenta a alquimia como uma tradição sagrada que busca restaurar a pureza original do ser e, por meio do simbolismo alquímico, mostrar o caminho para a transmutação espiritual. O autor, quando expressa o significado da palavra Alquimia, como sendo derivada do árabe: alchemia, que se origina de al-kimiya; ele deixa claro que o termo vem do Egito, sendo “kême” uma referência à “terra negra” que era a designação do próprio Egito na língua egípcia. E também um símbolo da chamada Prima Materia ou “Matéria Prima” dos alquimistas. Ele diz também que não devemos nos surpreender de não ter chegado até nós qualquer texto clássico egípcio sobre alquimia, porque se trata de uma tradição disseminada por via oral, e que só apresentava algo escrito quando se encontrava em decadência, e deixava de existir arautos que pudessem propagar com fidelidade a doutrina ou filosofia em questão. Os escritos que se atribui a Hermes Trismegisto, por exemplo, que são a base fundamental da Alquimia, chegaram a nós através dos gregos. Posso dizer por mim, também, que a própria destruição da Biblioteca de Alexandria, por incêndio, foi um outro motivo para qualquer texto que tivesse sido escrito sobre a Alquimia Egípcia tivesse se perdido no passado. O livro é composto de 17 capítulos com temas bem diversificados da prática da Alquimia, alguns termos usuais entre os alquimistas e elementos de uma filosofia que faz interagir a fenomenologia físico-química com o mundo mental-emocional e espiritual. Essa obra é, enfim, fundamental para aqueles que buscam entender a alquimia em uma perspectiva mais mística e filosófica, sendo recomendada tanto para estudiosos de tradições esotéricas quanto para quem deseja uma visão mais holística da relação entre o ser humano e o cosmos.

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