Comportamento, Cérebro e Visão – Quando a mente adoece, os olhos revelam os primeiros sinais
Hoje compreendemos que a visão não depende apenas dos olhos. Os olhos captam a luz, mas é o cérebro que interpreta as imagens. Por isso, muitas doenças neurológicas e psiquiátricas podem se manifestar inicialmente por sintomas visuais, fazendo do oftalmologista um dos primeiros profissionais capazes de suspeitar dessas condições. A aula iniciou com a história de um executivo que acreditava estar perdendo a visão, mas cuja verdadeira doença era uma depressão grave. Esse caso ilustra uma realidade importante: nem toda queixa visual tem origem ocular. Discutimos a crescente epidemia mundial de transtornos mentais, destacando que depressão, ansiedade, dependência química e doenças neurológicas representam hoje uma das maiores causas de incapacidade no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Abordamos a depressão como uma doença neurobiológica, muito além da tristeza, capaz de provocar fadiga, lentificação do pensamento, dificuldade de concentração e pior percepção subjetiva da qualidade visual. Na ansiedade, vimos como o estado permanente de alerta pode gerar fadiga ocular, espasmo acomodativo, visão borrada e desconforto visual, mesmo quando os exames oftalmológicos são normais. Também discutimos a somatização, situação em que o sofrimento emocional se manifesta por sintomas físicos reais, como dor ocular, fotofobia, cefaleia e embaçamento visual, reforçando que esses pacientes não estão simulando seus sintomas e merecem investigação cuidadosa e abordagem humanizada. A aula abordou ainda a esquizofrenia, mostrando como alterações profundas da percepção da realidade evidenciam que enxergar vai muito além da função dos olhos: depende da integridade dos circuitos cerebrais. Outro tema importante foi a dependência química, cujas diversas substâncias podem provocar neuropatia óptica, alterações pupilares, diplopia, nistagmo, traumatismos oculares e dificuldades na adesão ao tratamento oftalmológico. Também revisamos os principais efeitos oculares dos medicamentos psiquiátricos, como olho seco, midríase, alterações da acomodação e, em especial, a vigabatrina, capaz de causar perda irreversível do campo visual, tornando indispensável o acompanhamento oftalmológico desses pacientes. Por fim, reforçamos que o oftalmologista não trata apenas doenças dos olhos. Durante uma consulta é possível identificar sinais precoces de alterações cognitivas, doenças neurológicas, transtornos psiquiátricos, neuropatias ópticas e perdas visuais funcionais, permitindo encaminhamento precoce e melhor prognóstico. Mensagem final: "Os olhos podem ser a janela da alma, mas também são uma das mais importantes janelas do cérebro. Quando aprendemos a interpretar seus sinais, deixamos de tratar apenas a visão e passamos a cuidar do ser humano em sua totalidade."

Santo Rosário | Sexta-feira | 04:00 | 26/06/2026 | Live Ao vivo

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