O bezerro de ouro era Javé

Você provavelmente conhece a história: o povo hebreu, recém saído do Egito, constrói um bezerro de ouro enquanto Moisés está no Monte Sinai. Moisés desce furioso. O povo é punido. E a narrativa tradicional diz que o bezerro era Baal — uma traição ao Deus de Israel por um ídolo estrangeiro. Adquira pela Amazon o livro que estamos estudando: https://link.amazon/B00fQkqIV Mircea Eliade — História das Crenças e das Ideias Religiosas, Vol. 1 Só que há uma série de razões históricas e bíblicas para entender que o bezerro de ouro provavelmente era o próprio Javé. E que de certa forma, ele também era Baal. Para entender por quê, a gente precisa contar a história do símbolo religioso mais duradouro da história humana: o touro sagrado. Um símbolo que aparece nas cavernas de Çatal Hüyük na Turquia há mais de sete mil anos, passa pelo deus da tempestade hitita, por Baal e pelos textos de Ugarit, chega ao antigo Israel — e termina nos soldados das legiões romanas adorando Júpiter Doliceno, ainda montado num touro. Nesse vídeo, com base no trabalho de Mircea Eliade e nas hipóteses da academia atual sobre as religiões do antigo Levante, a gente vai percorrer essa linha de quase sete mil anos. Vamos entender por que o touro foi o símbolo mais poderoso do divino que o Oriente Próximo antigo conheceu. Vamos analisar o texto bíblico do bezerro de ouro com atenção — e descobrir que Arão usou exatamente a fórmula de identificação de Javé, não de nenhum deus estrangeiro. Vamos ver como Jeroboão, dois séculos depois, fez a mesma coisa em santuários oficiais do culto a Javé. E vamos apresentar — deixando claro que é uma hipótese em debate — as razões pelas quais alguns dos maiores especialistas no campo hoje argumentam que Javé e Baal compartilham raízes no mesmo ambiente religioso do antigo Levante. O episódio do bezerro de ouro só faz sentido quando inserido numa tradição de quase sete mil anos. E essa tradição é uma das histórias mais fascinantes que a história das religiões tem para contar.