Funeral de José Mário Branco na Voz do Operário
#JoseMarioBranco #musicaportuguesa Assim que cheguei Por Terras Portuguesas tomei conhecimento desta magnífica frase: A CANTIGA É UMA ARMA. Uau, é o tipo de frase tão estilo ''ditado popular'' que não imaginei que existisse um autor. Mas ele existe e se chamava José Mário Branco. E foi com esse tal José que aprendi muito sobre o país que escolhi viver. Foi possível, pela sua voz, entender muito sobre Portugal, deste sentimento pós 25 de abril e daquele novo país que se sonhava, onde também Mudam-se as Vontades... Ouvi suas canções, mas nunca vi pessoalmente esse tal José. Até que veio a notícia da sua morte, há exatamente um ano, e José se transformava definitivamente num mito. Senti que devia documentar seu velório, viver aquele último momento público daquele que personificava no olhar meigo o sentimento da liberdade e daquela Inquietação que Anda Cá Dentro. E fui. Cheguei de cabeça baixa, com a câmera guardada, tinha receio de desrespeitar toda aquela atmosfera e constranger quem estava naquele luto profundo. Mas fiz. Senti o pesar, senti o canto e as palmas das pessoas. De longe fiquei, sentei na parte de cima do salão, deixei o tempo e o espaço fluírem. Saindo do salão da Voz do Operário acompanhei todo o cortejo espontâneo das pessoas com seu corpo até o cemitério no Alto de São João, emoção pelo caminho, acenos pelas janelas, choro na chegada. Tudo o que via no rosto das pessoas era a saudade, aquela saudade que mal começou e já doía. As fotografias publiquei no dia seguinte ao velório. E hoje, para homenagear José, publico aqui as imagens que fiz naquele dia, com a voz poderosa da Alexandra Lucas Coelho, que trouxe em sua narração o poder que sentimos naquele dia. Ela disse, ''Nunca vi, ouvi, vivi nenhuma salva de palmas como a que a Voz do Operário deu ontem a José Mário Branco'', e eu completo, ''eu também nunca vi algo semelhante''. ViVa José Mário Branco. obrigado

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