"A criação de uma nova humanidade Friedrich Nietzsche e Frantz Fanon", Ivan Risafi de Pontes (UFPA)

GT Nietzsche, XX Encontro Anpof Realizado entre 30 de setembro e 4 de outubro de 2024, em Recife/PE Comunicação do prof. Dr. Ivan Risafi de Pontes (UFPA) Resumo: Em que medida o pensamento de Friedrich Nietzsche pode ser inserido numa reflexão a propósito da teoria da descolonização de Frantz Fanon? É fato, que uma breve referência a literatura sobre o tema revela uma impressionante ausência de trabalhos a esse respeito. Nossa pesquisa visa refletir sobre a possibilidade de aproximação entre os dois pensadores, mas especificamente por meio do que acreditamos ser o cerne de ambas as obras: a necessidade de criação de uma nova humanidade. Pois como diz Fanon: A descolonização nunca passa despercebida, pois atinge o ser, modifica fundamentalmente o ser, transforma espectadores esmagados pela inessencialidade em atores privilegiados, recolhidos de modo quase grandioso pelos raios luminosos da História. Ela introduz no ser um ritmo próprio, trazido pelos novos homens, uma nova linguagem, uma nova humanidade. A descolonização é indiscutivelmente uma criação de homens novos. Mas essa criação não recebe sua legitimidade de nenhum poder sobrenatural: a “coisa” colonizada torna-se homem no próprio processo através do qual ele se liberta (FANON, Os Condenados da Terra, p. 32). Há de se reconhecer, portanto, a necessidade de análise a respeito de quais elementos do pensamento de Nietzsche podem exercer um efeito esclarecedor e propulsor da concepção descolonialista de Frantz Fanon. Nesse sentido, a tematização de conceitos nietzschianos inerentes à política e à psicologia do homem domesticado e de seu ressentimento abrem espaço para uma análise que deslumbra um universo de questões comuns, que não apenas aproxima os dois pensadores, mas serve de fundamento para a avaliação do efeito contemporâneo de ambos.