01 - Nós e os outros

Primeiro tema que fiz depois do turbilhão para o qual me vi sugado após a minha atuação no espetáculo do Bob the Rage Sense, em Fevereiro de 2011, no Cine Atlântico. Um desabafo e uma chamada de atenção para os privilegiados financeiros da sociedade que são também aqueles que apelidamos de “intelectuais”, ou pessoas que estiveram expostas à formatação da cultura que conquistou supremacia sobre as outras e estão por isso avantajadas para ocuparem cargos de decisão. LETRA: Foram vocês que me inspiraram esta letra O silêncio dos vossos gritos é laminado, aleija! É um apelo ao bom senso, pois um gesto vosso apenas, salvaria muita gente de bater a caçuleta. Entre vocês tem muita merda, mas também tem gente atenta, manos com uma pinga de consciência. Nossa Angola tem doença, que sinal precisam mais? Quando calam o que pensam pra não comprometer os pais? Pra não comprometer emprego, pra evitar perder amigos, pra não perder clientes na equipa dos bandidos. Pra manter o kafokolo não podem ter o escape roto Pra manter o vosso biolo pra manter o vosso poiso. Pra não criar mau clima em casa, Falam de novela e Barça, esquecem sempre do mal que nos devasta, E esse é o mal que nos afasta, Mas não tem que ser assim, Há momentos na vida em que urge nos definir. A família quer proteger, não há mais natural que isso, Ameaçam cortar mesada, expulsar-vos do kubico, mas proteger de quê, se o país é livre, é dito? Só tá a mostrar a cagada de um governo de assassinos. Discordam dos métodos sem justificar porquê, O conforto é viciante, quem abre mão de ser burguês? Oh, perdão se me precipito em sugerir uma resposta, Que vocês insistem em não ouvir quando o subconsciente vos incomoda. Que método melhor tem para substituir viver com honra? Não se deseja mal a alguém, mas engasguem-se com a lagosta, E engatem uma sidosa, pra também bater no fundo, Talvez aí entendam a filosofia ubuntu. O discurso do nós e os outros é divisionista e perigoso Assenta no sobranceirismo paternalista e demagogo Instiga ao ódio, dá um rótulo depreciativo e hediondo Quando os "outros" decidirem ser "nós", vai pegar fogo! O M mantém o kota aí, nos finta e bumba esquemas. Mas será que o kitumba descobriu a vida eterna? Querem sempre protelar a solução pro problema. Mas a ferida se não se limpa poderá criar gangrena. E só uma mente entorpecida, com 30 anos de anestesia É incapaz de encontrar UM angolano de alternativa. Mas que porra de país sem perspetiva, Que acha que sem o zé escorregamos na ravina. E ver quem engrossa o coro é o mais angustiante, Pois lá estão os diplomados cantando "instabilidade"! Mas a instabilidade só quem pode promover, É a irresponsabilidade de quem se agarra no poder. E nem consegue mais fingir que não sabe aceitar crítica, Vai logo reagir, punindo com raiva e malícia E o que se está a conseguir com a constituição atípica É metê-la ao mesmo nível do que um livro do Patinhas! Tão a ver aqueles filmes onde um wí mata um outro dred assim, por acidente, mas como ninguém lhe viu, tenta encobrir? Talha o dred aos pedaços e lhe atira numa banda. Yá é assim que estão os nossos dirigentes. Só que a cena do crime está suja e eles estão a entrar em pânico. Zé dú deve escolher entre Khadaffi e Ben Ali, Qual dos dois comportamentos acabará por preferir? E os esbirros vão moscando, Zzzz, zzzz , sempre a zumbir, Agitando ao "arquiteto" para nos por a dormir. E é aí que vocês entram, gente rara, Vossos pais não vão dar bala se vocês perderem o cú e derem a cara, Vivemos na corda-bamba, segurando a vara E se o mambo ruir é a vossa ação que nos ampara. Agora pára, pensem um pouco, não deixem o coração disparar, preferem a culpa e o remorso quando cairmos com as rajadas? A responsa é um colosso, não diz "não posso fazer nada". Agora têm um papel, que vão fazer, virar a cara?