PROFESSOR AGENOR

Existem, sim, a história oficial e a história real da cultura brasileira. Nesta última se perfilam os vultos de importância que a primeira costuma escamotear. É também na história real que se devem situar a vivência e a interpretação disso que os estudiosos têm chamado de Afro-Brasil. Pois bem, é exatamente aí que se pode situar a figura notável de Agenor Miranda Rocha, conhecido no ambiente escolar do Rio de Janeiro como "professor" (uma vez que exerceu o magistério durante a maior parte de sua vida) e, no ambiente dos cultos afro-brasileiros como "Santinho", na verdade, um dos últimos grandes oluôs (adivinhos) do candomblé ketu-nagô. Jorge Amado era taxativo: "Sou velho amigo e admirador de Agenor. Trata-se de uma das figuras de maior relevo nas nações do candomblé. Nele depositavam total confiança as veneráveis Mãe Senhora e Mãe Menininha do Gantois, as inesquecíveis. Profundo conhecedor dos segredos de Ifá, Agenor jogou os búzios de adivinhação para a escolha de várias mães-de-santo, entre as quais Stella de Oxóssi, do Axé Opô Afonjá, e Tatá, do Engenho Velho. Assim, toda uma estirpe e uma hierarquia das religiões afro-brasileiras saíram de suas mãos sábias". O documentário de Marcelo Serra e Freddy Ribeiro vem reafirmar, dentro da história real da gente brasileira, a preeminência do professor Agenor. É uma dádiva pública. Muniz Sodré