Gênios disfuncionais ou operários da excelência

Existe uma fantasia persistente no imaginário corporativo contemporâneo: a de que indivíduos extraordinariamente talentosos podem compensar, indefinidamente, falhas de comportamento, indisciplina, arrogância, instabilidade emocional ou ausência de comprometimento. O “gênio difícil”, o “craque rebelde”, o “visionário caótico” parecem ocupar um lugar quase mítico nas organizações. Mas a realidade é mais ambígua e muito mais interessante. O talento, sozinho, raramente sustenta estruturas complexas. Em contrapartida, ambientes excessivamente disciplinadores podem sufocar criatividade, inovação e pensamento divergente. O conflito entre talento e disciplina revela, na verdade, uma tensão mais profunda entre liberdade e ordem, individualidade e coletividade, genialidade e previsibilidade.