Henrique Alves de Mesquita - Quadrilha de "Ali-Babá ou Os quarenta ladrões" (Luis Kolodin, piano)

Quadrilha da mágica "Ali-Babá ou Os quarenta ladrões", de Henrique Alves de Mesquita, interpretada por Luis Kolodin. A quadrilha é divida em 5 números: 0:00 No.1 0:44 No.2 1:09 No.3 2:59 No.4 3:34 No.5 Link para o vídeo original:    • Henrique de Mesquita - Quadrilha "Ali Babá"   -- Henrique Alves de Mesquita nasceu no Rio de Janeiro, em 1830, em uma sociedade marcada por fortes desigualdades raciais e sociais. Filho de pais não casados, foi classificado pelos historiadores como “homem livre pobre”, pertencente a um grupo marginalizado, mas encontrou na música um caminho de ascensão social. Estudou com Desidério Dorison e, em 1848, ingressou no Conservatório de Música, onde se destacou como trompetista e compositor. Em 1856 recebeu a medalha de ouro e foi o primeiro aluno agraciado com o Prêmio de Viagem à Europa, tornando-se o primeiro brasileiro a estudar no Conservatório de Paris. Na França, estudou harmonia com François Bazin, teve obras encenadas e alcançou reconhecimento com peças como a quadrilha Soirée brésilienne e a abertura sinfônica L’Étoile du Brésil. Durante sua permanência em Paris, Mesquita produziu missas, aberturas e operetas, e enviou regularmente composições ao Brasil. Sua ópera O vagabundo ou A infidelidade, sedução e vaidade punidas, estreada em 1863 no Teatro Lírico Fluminense, marcou sua consolidação como compositor de cena teatral. Após um período conturbado na França, regressou ao Rio de Janeiro em 1866, atuando como trompetista e, depois, como regente do Teatro Fênix Dramática. A partir de então, produziu numerosas operetas e peças musicais, como Trunfo às avessas, Ali Babá, A Coroa de Carlos Magno e Loteria do diabo, integrando-se definitivamente ao circuito do teatro musicado carioca do Segundo Reinado. Mesquita foi o primeiro compositor brasileiro a utilizar o termo “tango”, com sua peça Olhos matadores, de 1871, antecipando um gênero que se tornaria fundamental na formação da música urbana do país, depois referido como "tango brasileiro", um dos ancestrais do choro. Sua atuação docente no Conservatório de Música, onde ensinou solfejo, harmonia e instrumentos de metal, formou uma geração de músicos que desempenharia papel essencial na transição entre os repertórios teatrais e as novas expressões musicais urbanas. Entre seus alunos estiveram Joaquim Callado e Anacleto de Medeiros, dois nomes centrais na consolidação do choro e das bandas cariocas. A influência de Mesquita se estendeu também sobre compositores que o sucederam, como Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth. Sua amizade com Chiquinha e o reconhecimento expresso por Nazareth, que lhe dedicou o tango Mesquitinha em 1914, demonstram a importância de sua presença no ambiente musical do Rio de Janeiro oitocentista. Atuou como uma figura de referência - e, em certo sentido, de mentor - para esses músicos, contribuindo para a formação de uma linguagem instrumental urbana que unia elementos europeus e brasileiros. Ao longo de sua carreira, Mesquita produziu mais de cem obras, abrangendo missas, modinhas, valsas, polcas, aberturas, operetas e peças teatrais. Aposentou-se em 1904, após décadas de atuação como professor e regente, vindo a falecer no Rio de Janeiro em 1906. Sua trajetória, marcada pela superação de barreiras sociais e pela contribuição decisiva à cena musical brasileira, consolidou-o como uma das figuras fundamentais na formação de uma tradição musical nacional no século XIX. -- Nossos agradecimentos a Luis Kolodin. Edição das imagens e do vídeo: Douglas Passoni de Oliveira Curadoria e revisão: Alexandre Dias