Triste Fim de Uma Visionária - MAFERSA
A MAFERSA foi uma das mais emblemáticas fabricantes brasileiras, com mais de 50 anos de história, dos trens, aos metros, e ônibus elétricos e a diesel. MAFERSA, nome originário de Materiais Ferroviários S/A, foi fundada em 1944, e durante décadas foi o maior fabricante brasileiro de material ferroviário, em 1964 passou a ser estatal, como forma de saudar dívidas com a união e banco BNDE, e viria a enfrentar a forte retração do mercado no início da década de 80, decorrente da redução drástica de investimentos públicos no setor, foi assim então que buscou a diversificação de seus produtos como alternativa de sobrevivência, focando-se no transporte coletivo urbano. A Mafersa desenvolveu seu primeiro veículo sobre pneus, um trólebus padron 100% nacional, que venceu uma licitação da CMTC em São Paulo, em 1986. No ano seguinte, 87, a Mafersa colocava em teste nas ruas de São Paulo seu primeiro trólebus articulado, com 18,0 metros. Ambos tinham estrutura monobloco, suspensão pneumática, motor elétrico de fabricação Villares, e o revestimento externo em chapas de alumínio estrutural, com especial atenção dada à ergonomia do posto de direção, um esforço que, acabou sendo em vão, pois por falta de recursos, a CMTC suspendeu a aquisição dos trólebus articulados. A marca então passaria para os veículos à diesel, nascendo ainda em 87 o icônico modelos M-210, um urbano padron de projeto nacional, construído em aço carbono de alta resistência à corrosão, 12 metros, 3 portas, motor traseiro da Cummins de 218 cv, suspensão pneumática e ABS. Em 1989 a empresa projetou seu primeiro ônibus rodoviário, o MR-1320, com 13,2 m, monobloco, suspensão pneumática, e motor traseiro Cummins de 290 cv, ônibus que embora tivesse também muitos itens de conforto internos, não passou nem perto de atingir as expectativas da empresa em vendas. Com a relativa bem-sucedida entrada no segmento de ônibus urbano, o governo já havia decidido privatizar novamente a Mafersa, que seria um longo processo, com êxito apenas 1991, adquirida pela Refer, fundo de pensão dos empregados da Rede Ferroviária Federal. Para atingir maior parcela do mercado, lançou em 1991 a versão duas portas do urbano, e no ano seguinte, foi a vez do M-240 Automatic, que recebia caixa automática Allison, com freio retarder, e intercooler no motor cummins que elevou a potência para 240cv. Em abril de 1993 a MAFERSA já tinha fabrica 1.000 ônibus, toda a produção de veículos sobre pneus foi concentrada na unidade industrial de Contagem/MG, com representantes comerciais para cobrir todo o país, para aumentar as vendas, lançou a variante standard para os modelos 210 e 240, com preços cerca de 20% inferiores aos modelos normais, graças a redução de custo pela simplificação dos acabamentos e materiais, e externamente também receberam algumas alterações visuais. Também lançou a primeira plataforma Mafersa, para encarroçamento por terceiros, a M-210-P, e em seguida a plataforma articulada M-290-A, com 18,0 m de comprimento, motor Cummins de 294 cv e transmissão automática, protótipo encaroçado pela Ciferal, com o modelo megabus, porém, sem êxito, a conjuntura econômica era desfavorável, o investimento público passava por um período de grande contenção, especialmente sobre o setor metro-ferroviário, e ainda, programas de transporte público que previam a aquisição de grande quantidade de trólebus, ônibus padron e articulados nas diversas capitais foram adiadas ou canceladas, um duro golpe para a Mafersa naqueles meados dos anos 90. Assim, acumulando prejuízos, no final de 1995 a empresa acabou por suspender as (poucas) atividades e demitir seus 1.820 trabalhadores. Com os diversos negócios desmembrados, no ano seguinte a Mafersa reabriu com apenas 360 empregados. A produção de ônibus e trólebus, transferida para Contagem, durou apenas poucos meses mais. Em 1997 a divisão de trens foi arrendada pela francesa Alstom, e em 1999 a fundição e fábrica de rodas vendidas para a MWL Brasil Rodas e Eixos. Mesmo com todas as intempéries, os veículos MAFERSA foram bem marcantes por onde circularam, e hoje, os poucos que sobraram são verdadeiras relíquias, tecnologias como suspensão a ar, motor traseiro para melhor conforto térmico e acústica, pisos mais planos, câmbio automático, ainda hoje, não chegaram a todos os ônibus urbanos. #MAFERSA #onibus #busologos

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ORIGIN - Portuguese
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