Wolf Dietrich - Mudanças estruturais em línguas indígenas adotadas por não indígenas

Seminários do NTL Dia: 29/05/2026 Título da Palestra: Mudanças estruturais em línguas indígenas adotadas por não indígenas: o exemplo da Língua Geral Amazônica e do Guarani Paraguaio Palestrante: Wolf Dietrich é professor emérito da Universidade de Münster (Alemanha), tese de doutorado com Eugenio Coseriu (1971), assistente de Antonio Tovar na cátedra de Linguística Indo-Europeia da Universidade de Tübingen (1967-1973), cátedra de Filologia Românica na Universidade de Münster (1973-2006). Co-diretor do Atlas Linguístico Guarani-Românico (ALGR; 1996-2015, junto com Harald Thun). Co-editor, junto com Ruth Monserrat e Cândida Barros, de um dicionário anônimo de Língua Geral Amazônica do século XVIII (2019), de outros livros e muitos artigos em revistas e livros coletivos. Áreas principais de interesse: linguística histórica, análise sincrônica da sintaxe, semântica, formação de palavras nas línguas românicas e nas da família Tupi-Guarani. Resumo: O objetivo desta palestra é apresentar as minhas observações com respeito a duas línguas Tupi-Guarani não faladas por indígenas. No primeiro caso se trata da Língua Geral Amazônica do século XVIII, documentada por missionários jesuítas e franciscanos em dicionários e uma gramática. A gramática, que se conservou em um manuscrito de 1750, foi editada pelo palestrante em 2025. A Língua Geral desenvolveu-se do tupinambá, documentado por Anchieta (1595) e Figueira (1621), ao final do século XVII, caraterizando-se pelo fato de ter sido adotada pelos colonos portugueses, casados com mulheres tupinambá, e – como língua veicular – pelos indígenas que falavam outras línguas e também pelos missionários. Pudemos observar que o tupinambá original, desta maneira, foi reestruturado em muitos aspetos, fonológicos e morfossintáticos, para não falar do léxico. Todas essas mudanças coincidem com estruturas existentes em português, a língua sempre presente já no Brasil do século XVII. O segundo caso é aquele do guarani paraguaio, uma das línguas oficiais do Paraguai atual, falada por cerca de 5 milhões de paraguaios, que não são indígenas, embora muitos tenham origem indígena. As diferenças entre o guarani de hoje e a língua das missões, documentada por Montoya (1639 e 1640), são menores em comparação com a Língua Geral, mas também se explicam pela presença contínua do espanhol no país. Em ambos os casos se trata do abandono de estruturas indígenas e de aproximações à língua europeia. 🎙️ Novo na transmissão ou querendo melhorar? Confira o StreamYard e ganhe $10 de desconto! 😍 https://streamyard.com/pal/d/60162714...