Escola do MST
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) é um movimento de ativismo político e social brasileiro. De inspiração marxista, teve origem na oposição ao modelo de reforma agrária imposto pelo regime militar, principalmente nos anos de 1970, que priorizava a colonização de terras devolutas em regiões remotas, com objetivo de exportação de excedentes populacionais e integração estratégica. Contrariamente a este modelo, o MST busca fundamentalmente a redistribuição das terras improdutivas. O MST teve origem na década de 1980, defendendo que a expansão da fronteira agrícola, os megaprojetos — dos quais as barragens são o exemplo típico — e a mecanização da agricultura contribuíram para eliminar as pequenas e médias unidades de produção agrícola e concentrar a propriedade da terra. Paralelamente, o modelo de reforma agrária adotado pelo regime militar priorizava a "colonização" de terras devolutas em regiões remotas, tais como as áreas ao longo da rodovia Transamazônica, com objetivo de "exportar excedentes populacionais" e favorecer a integração do território, considerada estratégica. Esse modelo de colonização revelou-se, no entender do movimento, inadequado e eventualmente catastrófico para centenas de famílias, que acabaram abandonadas, isoladas em um ambiente inóspito, condenadas a cultivar terras que se revelaram impróprias ao uso agrícola. Nessa época, intensificou-se o êxodo rural — abandono do campo por seus habitantes —, com a migração de mais de 30 milhões de camponeses para as cidades, atraídos pelo desenvolvimento urbano e industrial, durante o chamado "milagre brasileiro". Grande parte deles ficou desempregada ou subempregada, sobretudo no início dos anos 1980, quando a economia brasileira entrou em crise. Alguns tentaram resistir na cidade e outros se mobilizaram para voltar à terra. Desta tensão, movimentos locais e regionais se desenvolveram na luta pela terra. Em 1984, apoiados pela Comissão Pastoral da Terra, representantes dos movimentos sociais, sindicatos de trabalhadores rurais e outras organizações reuniram-se em Cascavel, Paraná, no 1º Encontro Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, para fundar o MST. Apesar de os movimentos organizados pela reforma agrária no Brasil serem relativamente recentes, remontando apenas às ligas camponesas — associações de agricultores que existiam durante as décadas de 1950 e 1960 — o MST entende-se como herdeiro ideológico de todos os movimentos de base social camponesa ocorridos desde que os portugueses entraram no Brasil, quando a terra foi dividida em sesmarias por favor real, de acordo com o direito feudal português, o que excluiu em princípio grande parte da população do acesso direto à terra. Contrariamente a esse modelo concentrador da propriedade fundiária, o MST declara buscar a redistribuição das terras . Desde o início do movimento em 1985 foram assassinados 1722 militantes, segundo a Comissão Pastoral da Terra. A Reforma Agrária Popular, defendida pelo MST, trabalha novas relações sociais e de poder. Trata-se de um projeto popular de sociedade anticapitalista que articula a luta pelo direito à terra, o debate das questões ambientais, as sementes como patrimônio coletivo dos povos, a produção de alimentos saudáveis, a educação e a cultura na busca e defesa dos direitos sociais e condições de vida digna para todos. O Movimento luta para construir um mundo sem exploração, injustiça e desrespeito. Isto traz a obrigação de enfrentar opressões presentes no campo, como a LGBTfobia. Assim, como fruto da auto-organização dos sujeitos sem terra, o MST incorporou o fortalecimento da luta dos indivíduos LGBTIA+ assentados e acampados. O espaço interno de debate se transformou no coletivo LGBT Sem Terra, criado em 2015 para abarcar o debate sobre diversidade sexual e de gênero como uma das bandeiras de luta relacionadas ao projeto de Reforma Agrária Popular. Todas estas movimentações só se dão com a justificativa da exclusão histórica das pessoas LGBT do campo brasileiro, relações expressas por forças hegemônicas vinculadas ao patriarcado e ao capitalismo. Sendo assim, o MST reconhece a diversidade dos sujeitos que constroem a luta pela Reforma Agrária Popular, afirmando o respeito e sinalizando condições para a inserção de todos os indivíduos nas instâncias organizativas do movimento, nos assentamentos e acampamentos, na militância e nas ações que os fazem sujeitos dessa construção.

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