Fabricio Vargas - Quando eu morrer de novo

Pré lançamento do álbum "A poesia que habita em mim" 4ª Tertúlia da Poesia Theatro Treze de Maio - Santa Maria - RS QUANDO EU MORRER DE NOVO Tulio Souza Quando eu morrer de novo Avisarei aos amigos com antecedência, Pois vou querer a maior festa que um defunto já fez! Não quero saber de outro velório tristonho, Vai ser um funeral de quem já tem experiência, Terei a vivência de já ter morrido uma vez!!! Quando eu morrer de novo Vou partir sem arrependimentos, Sem sentimentos de culpa, Principalmente pelas coisas que não realizei. Terei amado sem medo da rejeição; Terei dito mil "SIMs" para cada "NÃO"; Terei pedido perdão mesmo sem ser culpado; Terei errado sem receios; Terei sido quase inconseqüente; Não terei pensado no fim, só nos meios! Quando eu morrer de novo Deixarei um testamento simples: "Meus poemas devem ser entregues Aos que acharem algum sentido nas linhas tortas. (as poesias - diferente de mim - não estarão mortas!) Aos outros, que tenham sorte na empreitada, Pois de mim não restará mais nada!!!" Quando eu morrer de novo Já terei alguma cancha no "céu" (ou no inferno)", Então vou quebrar algumas regras antigas, Voltarei para prosear com os amigos em vida E recomendar: Guardem no silêncio as palavras menos sinceras! Não economizem beijos e abraços! Andem descalços, brinquem muito, tentem VIVER! E quando se forem também, Levem uma lista das coisas Que ainda estão por fazer! Quando eu morrer de novo Fundarei a verdadeira "Sociedade dos Poetas Mortos", Com sede em algum rancho simples, Onde possamos prosear, contar causos, declamar... E, quem sabe, fazer poemas de "assombrar" o mundo! Quando eu morrer de novo Levarei a guitarra Pra milonguear saudades, Levarei os avios de mate, Algumas mantas de charque E um baralho de truco Pra os momentos à toa... Quando eu morrer de novo Terei avisado a quem fica: "Não derrame lágrimas tristes por mim! Faça assim, cada vez que a saudade apertar, Feche os olhos e dê um sorriso. Teu pensamento será tudo que preciso Para contigo eu poder estar." Quando eu morrer de novo Talvez terei encontrado Respostas do meu agrado Pra confirmar que a morte É um período que passamos Afastado da querência! Quando eu morrer de novo Terei a certeza no início E no final... reticências... Autor: Túlio Souza Violões: Sabani Felipe de Souza e Kayke Mello