Redução de Vazão do rio Carinhanha pode ser explicada pela redução da chuva
Apresentação de um artigo sobre a redução de vazão do rio Carinhanha, afluente do rio São Francisco, ao longo das últimas décadas. Nesse artigo argumento que a mudança na vazão de um rio, entre um período de vários anos relativamente úmidos, para um período de vários anos relativamente secos, e vice-versa, não necessariamente é igual ou proporcional à mudança na chuva. Também comento que diversos modelos hidrológicos muitas vezes falham em representar os efeitos de secas prolongadas. Assim, quando as alterações de vazão simuladas, considerando apenas a alteração da precipitação, são menores ou maiores do que as alterações de vazão observadas, isso não constitui, necessariamente, uma prova de que há algum outro processo envolvido (alteração de usos consuntivos, alteração de cobertura vegetal, etc). Entretanto, uma aplicação bastante preliminar do modelo MGB na bacia do rio Carinhanha mostra que a redução da vazão observada nos últimos anos (décadas) no rio Carinhanha é razoavelmente bem reproduzida nas séries de vazão simuladas pelo modelo, e, portanto, pode ser explicada pela redução na precipitação. Para isso, entretanto, o modelo MGB, deve ter seus parâmetros calibrados focando na representação da variação de longo prazo, e não em métricas muito influenciadas pelo comportamento sazonal, como o coeficiente de eficiência de Nash-Sutcliffe, por exemplo, ou até mesmo a eficiência de Kling e Gupta (KGE). Na simulação realizada, não foi necessário considerar a alteração da vegetação da bacia nem foi necessário considerar o aumento do uso consuntivo de água para irrigação. Aliás, esses dois fatores são relativamente menos importantes na bacia do Carinhanha do que nas bacias vizinhas. Enfim, os resultados desse teste sugerem que, de uma forma geral, o papel da redução da chuva na redução da vazão pode estar sendo sub-estimado em diversos estudos no Brasil. Caso essa redução da chuva observada em muitas bacias na região central do Brasil seja resultado de um processo climático transitório, então é provável que tanto as chuvas como as vazões voltem a aumentar no futuro. Porém, caso essa redução da chuva seja resultado de um processo mais permanente, como as mudanças climáticas de origem antrópica, então a vazão vai se manter com valores baixos.

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