Origens da Meia-Idade

O texto explora a possibilidade de a *crise de meia-idade* ser uma experiência biológica ancestral, e não apenas um fenômeno da vida moderna e capitalista. Através de uma perspectiva *antropológica e evolutiva**, sugere-se que esse período marca uma transição dolorosa, porém necessária, entre o vigor físico da juventude e a sabedoria estratégica da maturidade. Evidências em grandes primatas e padrões de satisfação em formato de "U" indicam que o declínio temporário do bem-estar ocorre quando a **mortalidade* se torna concreta e o papel social do indivíduo é redefinido. No contexto pré-histórico, essa fase representaria o momento em que o caçador deixa de ser o mais veloz para se tornar a *memória e o guia* de seu grupo. Assim, o desconforto da meia-idade é interpretado como o custo emocional de uma importante *passagem de bastão* identitária que garantiu a sobrevivência da nossa espécie.