"Sou de Niterói" - Imagens Contam Histórias de Niterói

Em 1941, Ataulfo Alves e Wilson Batista compuseram o samba “Eu não sou daqui”, gravado, na ocasião, pela inesquecível Aracy de Almeida e regravado, muito tempo depois, em 2004, por Zélia Duncan. O samba é leve e ligeiro e a letra mais esconde do que revela. No entanto, alguma coisa nos deixa ver, as outras, imaginamos nós. Em primeiro lugar, parece claro que a cantora rechaça, de forma graciosa e educada, a paquera do carioca que a acompanha até a Praça XV e ali declara que seu coração está em Niterói. Mas, não nos diz nada sobre esse amor. Quem será que roubou seu coração? Niterói tinha, na época, cerca de 156.000 habitantes! A qual deles ela empenhou seu coração? Teria sido um funcionário público estadual (na época, Niterói era a capital do Estado do Rio, então governado por Amaral Peixoto)? Seria um cara de tipo esportivo? Um jogador do Canto do Rio Futebol Clube, o primeiro clube do antigo estado a se profissionalizar? Um remador do Clube de Regatas do Gragoatá? E como se divertia o casal? Nos finais de semana frequentavam algum dos diversos cinemas de Niterói, como o Mandaro, o São Bento, o Éden ou o Icaraí? Faziam o footing na praia de Icaraí e ele então ia se exibir no trampolim? Ou eram do tipo apostadores, que frequentavam as corridas de cães no Caio Martins e as noites de jogo e shows no Cassino? Pois é, perguntas de mais ficam no ar. O que parece certo é que, embora a interpretação de Aracy, a Dama do Encantado, seja muito graciosa, é óbvio, ao menos para os niteroienses, que ela também não é daqui. Duvida? Compare a interpretação dela com a de Zélia, autêntica filha da terra de Arariboia!