Não Adianta Lutar Contra a Realidade
Vem aí a Imersão em Esquizoanálise, nos dias 04 e 05 de julho às 19 horas! Se inscreva através do link abaixo: https://www.escolanomade.org/imersao-... Nós somos vários, não simplesmente na nossa multiplicidade mais interessante. Nós também somos vários na multiplicidade mais marcada, mais homogeneizada. É esse empilhamento de acontecidos. Tem vários acontecidos em nós. “Eu sou muitos”, mas às vezes eu sou muitos atolados em mim. Então às vezes a gente perde a queda de braço entre essa multiplicidade interessante, heterogênea, que está sempre envolvida por esse horizonte afirmativo que diferencia a nossa potência; e essa multiplicidade de acontecidos empilhados, esse mistura de espaço-tempo, esses mistos mal analisados que são introjetados em nós como limites. E alguns são mais adensados e outros menos. Uns têm mais substancialidade, ainda que seja uma fraude, outros têm menos. E o que gera essa diferença? É a relação com a máquina social, com a cultura, com a história, com a sociedade, com a economia, com as nossas relações amorosas. Então a sociedade vai estimular em você, ela vai valorizar em você certas coisas e desvalorizar outras. Ela vai silenciar certas coisas e vai fazer falar outras. Ela vai invisibilizar certas coisas e vai visibilizar outras. Vai acolher outras. Vai rejeitar umas. Então ela vai determinando aquilo que deve ser empoderado em você, que deve ser reconhecido como sendo você. E vai fraudando, porque nunca a sua autenticidade vai coincidir com o que a sociedade espera de você, com o que seu marido, ex-marido, com a sua amiga ou ex-amiga, a sua relação profissional… ou seja lá como que for, espera de você. Nunca vai coincidir. Mas há um estímulo. Assim como a máquina social necessita do nosso rebaixamento, ela também oferece uma qualificação para a gente. Para a gente virar uma peça mais eficiente do sistema. E a gente fica lutando, “Nossa, isso será que é a gente mesmo?”. Não é! São interiorizações nossas, são encostos que a gente tomou para si. E a gente fica lutando contra esses encostos. Então eu acho que aqui entra a dor, de novo, como aliada. Entender que a dor, assim como o movimento, é analítica. Ela diferencia. Ela divide. Ela vai criando submovimentos, micromovimentos, microssentidos. Spinoza já dizia, “uma dor compartilhada é uma dor que faz menos estragos”. Uma dor, quando ela está em bloco, inteira, é muita pesada. Então é importante decompor a força, nem que seja partilhando. Mas, na verdade, a dor tem microssinalizações que viram alertas, que viram espreitas, que criam a condição da digestão. Ou seja, eu estou preparado para receber aquela força que me invadiu como uma força intrusa. Me perturbou, me desviou, me desfocou, me roubou a atenção como um mágico. Desviou a atenção como um mágico desvia. Então é um exercício para a gente focar naquilo que interessa, para dar retorno. O que Deleuze e Guattari chamam de “ritornelo”. Eu chamaria de “retorno da potência” ou “retomada da potência”. Criar um circuito de desejo, experimentar de uma maneira tal que você foca em algo do acontecimento, apreende algo, extrai algo desse acontecimento que vira combustível desse próprio circuito, que realimenta, retroalimenta e cria um moto-contínuo, um devir ativo ou autossustentável. Extrair um gosto. Eu acho que essa é a dificuldade maior de nós, seres humanos. Extrair um gosto inédito de tudo o que acontece. E esse gosto é imperceptível. Ele não faz estardalhaço. Ele não é espetacular. Ele é sutil. Ele é singelo. Ele é quase inapreensível, mas você sente que algo cresce em você: um contentamento íntimo começa a aparecer. É uma maneira de se efetuar. É um jeito, é um jeito de desejar ao se efetuar. O que é o desejo? Ele é a linha efetuação da potência. Ele é o caminho de diferenciação da potência. Então qual é o caminho em que a potência se diferencia, aumentando a si mesma, ampliando o real, se amplificando? Esse caminho não está pronto. E ele não é uma coisa espontaneísta. “Ah, vou chutando por aqui, por ali”. Não. Ele é uma coisa que vai crescendo pelas bordas. Vai tateando e a vida vai mostrando. Não adianta lutar contra a realidade. Daí o conceito de aceitação. Aceitar é muito importante. Não para se conformar, muito ao contrário: você aceita exatamente para poder mudar. Vem aí a Imersão em Esquizoanálise, nos dias 04 e 05 de julho às 19 horas! Se inscreva através do link abaixo: https://www.escolanomade.org/imersao-... Livro "Saúde, Desejo e Pensamento": https://a.co/d/5d0hCAF Veja também os conteúdos que disponibilizo através do: Instagram: / luizfuganti Facebook: / filosofoluizfuganti Spotify: https://podcast.escolanomade.org Site: https://www.escolanomade.org/

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