22 - Ritual Kawahiva (Demetrios Haidos / Geandro Matos)

Ritual Kawahiva DemetriosHaidos/Geandro Matos É bem mais escuro antes do amanhecer, somente o pajé pode ver os Tapuins na escuridão, obscuros em procissão Eu uso o poder das plantas e dos minerais, para seduzir o divino espírito do deus ancestral Preparem os caçadores para o ritual, as varas de embira vão te ferroar, lave seus olhos com veneno de cobra, eerga o totem do animal sagrado Acanguçu Pajé dança e canta na tucaia assombrada, a metamorfose do serpentum encantado vai revelar A sedutora aranha armadeira, guardiã das máscaras de madeira, a rainha das sombras a fiandeira Vai libertar do casulo o temido bicho das trevas, corre nas matas de uma Amazônia paleolítica, onde as plantas são gigantes carnívoras, e habitam animais diferentes devoradores de gente Saltando de galho em galho, afugentando os leviatãs, onças com cabeças de pássaros, Ibiriunas, Wa’riwa. Incorporando a dança letal das serpentes, todos os índios cabeças vermelhas no tronco das árvores, batendo as asas feito anaçã alcancem os céus, e vejam com os olhos da fera o que os mortais não podemver. Ireru, Ireru, Ireru, Irerua, sou Tupi, sou Tupi–Kawahiva. Sou a resistência do velho Ipají, eu sou a fé, eu sou pajé, eu sou ritual.