"Manaus, meu paraíso", de e por Waldick Soriano !
"Manaus, meu paraíso", de e por Waldick Soriano ! Inté, Osório Barbosa. "Manaus, meu paraíso. Adeus Manaus, está chegando a hora da partida. Adeus Manaus, o nosso adeus será por toda vida. Esta noite eu chorei tanto, ao saber que iria partir agora, por ti já derramei todo o meu pranto, foi o destino quem mandou eu ir embora. Adeus Manaus, adeus meu paraíso a minha vida. Adeus Manaus, Quem é que não chora na hora da partida." Mais: "Adeus Manaus, Adeus Waldick! Em: 06 de Setembro de 2008 Adeus Manaus, Adeus Waldick! “Adeeeeeus, Manaus / está chegando a hora da parti-ida adeus, Manaaaaus / o nosso adeus será por toda a vi-ida”. Pouca gente conhece essa música que Waldick Soriano cantava, nos anos sessenta, quando se despedia de Manaus, aonde vinha com muita frequência. Depois do show em clube familiar, ele terminava a noitada num centro de convivência e lazer, denominado ‘Lá Hoje’, que ficava ali, perto da atual Rodoviária. Lá, já descontraído, no meio das meninas, soluçava, levando a zona inteira ao delírio: ‘Adeeeeeus, Manaus / adeus meu paraíso minha vi-ida / adeus Manaus / quem é que não chora na hora da parti-ida’. Epa! Manaus, um ‘paraíso’? Para ele, era. Naquela época, Waldik, ainda desconhecido no resto do país, mobilizava multidões na capital amazonense, cuja população o idolatrava. Não é exagero afirmar que o sucesso desse cantor baiano radicado em São Paulo começou aqui, na nossa cidade, que soube apreciar aquela ‘voz rascante de corno transtornado’ e seu repertório de boleros românticos cheios de gemidos e queixumes de amor. Grato, ele compôs uma música para a cidade cuja letra, para variar, falava de desencontro e separação: “essa noite eu chorei tanto, ao saber que ia partir agora”. Logo depois, Waldick foi fazendo sucesso em todo o Brasil, sobretudo entre gente humilde e sofredora. Com pinta de Durango Kid, chapéu preto de vaqueiro, óculos escuros e cabelos com muita brilhantina penteados pra trás, gravou mais de 500 músicas em 84 discos. O fato de ter sido lavrador, garimpeiro, motorista de ônibus e faxineiro, com experiências de trabalho no mundo rural e urbano, talvez tenha ajudado esse baiano de Caetité a entender a alma romântica do povo brasileiro e a figurar no hit parade da vitrola da Leonor. A vitrola da Leonor Dizem as más línguas que a vitrola da Leonor havia sido um presente do seu cunhado Petel, que nutria por ela uma paixão secreta, avassaladora, mas não concretizada. Esse amor proibido pelas convenções sociais envolvendo Leonor, Petel e seu irmão João Camilo já era, por si só, letra de música de Waldick. Talvez daí se explique o seu sucesso. Ele cantava o que as pessoas sentiam e viviam no seu cotidiano. Mas antes, deixa que eu te apresente a dona da vitrola: Leonor, nossa vizinha no bairro de Aparecida, mulher honesta e trabalhadora, dona de uma pequena quitanda de verdura e fruta, casou-se com o taxista João Camilo, já falecido, com quem teve vários filhos. Era tão fofa, que quando eu estava exilado, na França, me mandou uma penca de bananas, que minha mãe levou escondida dentro da mala, e que foi confiscada pela polícia francesa. Não foram feitos ainda estudos conclusivos, mas é provável que o amor impossível do Petel tenha sido decisivo no repertório da vitrola da Leonor. Ele gostava da cunhada e esnobava a Cecéu, que era apaixonada por ele. Por isso, chorava, quando ouvia o Waldick cantar: -“Quem eu quero não me quer / Quem me quer mandei embora / E por isso já não sei / o que será de mim agora. / Passo a noite meditando / revivendo meu castigo / no meu quarto de saudade / solidão mora comigo”. A vitrola tocava a todo volume, dia e noite, noite e dia, e o som da vizinha estrondava dentro da nossa casa: “Por onde anda quem me quer, quem não me quer onde andará?”. Esteticamente falando, a vitrola da Leonor foi responsável pela formação do meu gosto musical. Quando a Marluce Saubinha, que morava em frente da Igreja, andou falando mal de mim, quem me salvou foi o Waldick: “Quem és tu / para querer manchar meu nome? Quem és tu / Não és ninguém, não és nada/ Quando eu te conheci, vivias pelas ruas / desprezada na calçada”. Se eu deixasse ligada a vitrola da Leonor, agora, o leitor ouviria as 500 músicas do Waldick, incluindo um dos seus grandes sucessos: “Esta noite, eu queria que o mundo acabasse / e para o inferno o Senhor me mandasse / para apagar todos os pecados meus/ Eu fiz sofrer a quem tanto me quis / Fiz de ti meu amor infeliz / Esta noite eu queria morrer”. Convém, no entanto, ver o que estava acontecendo em outras ruas. A quermesse de Aparecida (MAIS NOS COMENTÁRIOS, INCLUSIVE A FONTE)

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