Cacos

Mosaico é um álbum sobre tudo aquilo que nos constrói. Cada música representa um fragmento da experiência humana: memórias, amores, perdas, medos, esperança, rupturas e recomeços. Separadas, são histórias. Juntas, formam um retrato de quem somos. Nenhuma peça explica a outra. Mas, quando todas se encontram, revelam um desenho maior. Lyric: [Intro] Silêncio entra pela fresta da janela Respira perto, quase encosta na minha pele Relógio anda, eu fico presa na mesma cena Tudo calmo, tudo longe, tudo em suspenso [Verse 1] Eu conto as rachaduras da parede da sala Pra ver se alguma delas parece com a minha O som da rua bate fraco na cortina E eu finjo que essa vida ainda é minha Eu falo baixo pra não acordar o medo Guardo perguntas embaixo do travesseiro Cada lembrança é um filme mal gravado Que eu rebobino só pra ver o mesmo erro [Pre-Chorus] Eu sei que o tempo anda, mas aqui dentro não Minha cabeça é corredor sem direção Respiro fundo como quem vai mergulhar Mas a superfície insiste em me chamar [Chorus] Cai um pedaço de céu na minha mão E eu não sei se é milagre ou confusão Tudo que era certeza se partiu no chão Serenidade virou impacto no meu coração Cai um pedaço de ontem no meu peito E eu revivo cada linha, cada defeito Se a luz invade é só pra mostrar O quanto ainda falta pra eu me encontrar [Verse 2] Eu rio torto das promessas que eu fiz Cabe na palma um universo por um triz Me vejo indo, me vejo ficando aqui Nessa fronteira entre partir e resistir O telefone toca dentro da memória Frases antigas repetindo a mesma história Eu me escuto como se fosse outra voz Comentando a minha vida de tão longe de nós [Pre-Chorus] E quando eu quase esqueço quem eu sou Um pensamento tropeça e me empurrou Pra um precipício feito de pequenos nadas De luz estranha, de faltas acumuladas [Chorus] Cai um pedaço de céu na minha mão E eu não sei se é milagre ou confusão Tudo que era certeza se partiu no chão Serenidade virou impacto no meu coração Cai um pedaço de ontem no meu peito E eu revivo cada linha, cada defeito Se a luz invade é só pra mostrar O quanto ainda falta pra eu me encontrar [Bridge] Leveza vem devagar, quase pedindo licença Um fio de ar atravessando a minha sentença Um passo em falso vira jeito de andar Eu tropeço à frente pra não precisar voltar O mundo gira e eu fico meio torta Carrego o caos dobrado em cada porta Me convenço que seguir é só cair melhor E que o progresso é aprender a amar o pó [Breakdown] Explode um som aqui dentro do peito É fogo frio, terremoto imperfeito Tudo rodando, tudo fora de lugar Eu vejo em câmera lenta o meu próprio desabar Caos é dança sem ninguém conduzindo É cada riso velho se confundindo Eu me assisto ruindo em alta definição Como se eu fosse a atriz e o público na mesma função [Verse 3] Racha o ar, a palavra não atravessa A garganta fecha, o oxigênio tropeça Cada lembrança é um punho se fechando E eu encolhida, quase cabendo num segundo plano Sufoco vem calado, veste a minha roupa Fala com a minha voz, responde a minha boca Eu vejo de fora o corpo continuar Enquanto a alma senta no canto pra observar [Pre-Chorus] Se eu grito forte, ecoa só por dentro Vira ruído preso em mim, sem tempo O mundo segue, ônibus, farol, estação E eu parada, entre o impacto e o perdão [Chorus] Caiu um pedaço de mim em minha mão E eu não sei se é milagre ou confusão Tudo que era certo, um coração Sereno é só uma idéia em combustão E mesmo assim não tem mais jeito eu já nem me reconheço mais direito se a luz invade é só pra mostrar Que eu preciso me perder... ...pra me encontrar [Outro] No fim, só o silêncio anda pela casa Sentando ao meu lado como se me abraçasse Os sons lá fora viram linha no horizonte Enquanto eu desabo calma, sem nenhum monte Exausta, eu deixo o corpo descansar Aceito a queda como jeito de passar Entre o que fui e o que não sei ser Transcendo em cacos, aprendendo a me esquecer E quando tudo por dentro enfim desaba Sobra esse quase nada que me embala Um coração cansado batendo devagar Melancolia em movimento, tentando continuar.