CÂNCER de TESTÍCULO: é mais comum em atletas?
O câncer de testículo é mais comum em atletas? Saiu na impressa há poucos dias a notícia de que o jogador Jean Pyerre, ex-Grêmio, foi diagnosticado com um tumor no testículo. E como esse é um canal de assuntos de interesse para a saúde de todos, é sobre isso que a gente vai conversar hoje: câncer de testículo. Realmente o tumor de testículo é considerado raro. Segundo dados do Inca, que é o Instituto Nacional do Câncer, o tumor de testículo corresponde a 5% de todos os casos de câncer em homens. Aqui no Brasil ele possui uma prevalência de 2,5 casos para cada 100mil habitantes. E a notícia boa é que é um tipo de câncer facilmente curado quando tratado precocemente e com baixo índice de morbimortalidade. E se a gente puxar pela memória ou der uma pesquisada aqui na internet veremos que o caso de Jean Pyerre não é o único no esporte. Outros atletas também tiveram esse mesmo diagnóstico: o jogador de futebol Robben (que é holandês); o francês Abidal (também jogador de futebol ), o ciclista Lance Armstrong e aqui no Brasil tivemos os casos do jogador de basquete Nene Hilário e dos jogadores de futebol Ederson, que jogou no Flamengo, e Magrão. Mas não! Eu já vou deixar claro (e bem claro!) que não existe correlação da doença com o fato da pessoa praticar esporte; principalmente esporte de alta intensidade como é o caso dos atletas que citei. A questão aqui é a idade. O câncer de testículo é mais frequente e comum em homens jovens - entre 15 e 34 anos. O que aumenta de fato o risco do homem desenvolver câncer de testículo? ter história familiar deste tumor é uma delas; ter história prévia do câncer no testículo contralateral - ou seja, o homem que já teve câncer em um dos testículos e tratou, no futuro esse homem apresenta um risco maior de ter câncer no outro testículo também; trabalhadores expostos a agrotóxicos também podem apresentar risco aumentado para essa doença; Infertilidade também é um fator de risco; outro fator de risco é a Criptorquidia: deixa eu te contar sobre isso; os testículos se desenvolvem dentro do abdomen (da barriga) dos meninos lá durante a gestação, quando estão em formação na barriga da mãe; perto do nascimento os testículos descem para a bolsa escrotal. Porém, em cerca de 3% dos meninos, um ou ambos os testículos não descem, ficando alojados dentro do abdômen ou presos no meio do caminho, geralmente pela região da virilha. E isso é o que se chama de criptorquidia - quando um ou ambos os testículos não descem. E esse é um dos principais fatores de risco para desenvolvimento de câncer de testículo no futuro. Por isso é importante ficar bastante atentos a essa condição. E sobre os sinais e sintomas; como aparece? O que eu sinto? O mais comum é o aparecimento de um nódulo endurecido, que geralmente não dói, e tem mais ou menos o tamanho de um grão de ervilha. Mas é importante os homens ficarem atentos a outras alterações: o aumento ou diminuição no tamanho dos testículos; dor na parte baixa do abdomen; sangue na urina é outro sinal de alerta; e também um aumento dos mamilos ou maior sensibilidade neles. Caso apresente algum desses sinais é importante consultar o médico para melhor avaliação e orientação. Diagnóstico e diagnóstico precoce. Como se faz o diagnóstico dessa doença? Tem alguma coisa que eu possa fazer prá descobrir cedo o problema? Começando por essa última pergunta. Sim, é importante se autoexaminar. Assim como as mulheres são estimuladas a realizar o autoexame das mamas, os homens também podem ter o costume de examinar de tempos em tempos a sua bolsa escrotal - e a hora do banho costuma ser o melhor momento prá isso. E o diagnóstico é feito pelo exame de ultrassonografia da bolsa escrotal e pela dosagem de marcadores tumorais no sangue. Tratamento. Pois o tratamento inicial é sempre cirúrgico. O mais comum é ocorrer a retirada completa do testículo afetado. A partir daí são realizadas avaliações do que nós médicos chamamos de estadiamento da doença - que é avaliar a extensão do câncer, ou seja, se ele se espalhou para algum outro órgão ou região do corpo. E a partir desse estadiamento poderão ser necessários outros tratamentos complementares como radioterapia e também quimioterapia. É importante salientar que a função sexual e também a reprodutiva do paciente não é afetada, desde que o outro testículo esteja bem e saudável. Ou seja, tanto a produção dos hormônios quanto a fertilidade são preservadas nesses casos. Eu deixo aqui mais uma vez todo meu apoio ao Jean Pyerre mandando boas energias para que tudo corra bem no seu tratamento (e vai correr bem!). E como o próprio Jean escreveu na sua rede social "essa será mais uma batalha para, lá na frente, você se orgulhar e dizer que lutou, que sofreu e que venceu"! Eu sou Carlo Cunha, sou médico de família, e essa foi a minha pílula de saúde de hoje.

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