Em entrevista à Times Brasil, ABIMÓVEL destaca pressão da tarifa dos EUA sobre a indústria moveleira

A cobrança será aplicada às mercadorias que entrarem para consumo nos Estados Unidos a partir das 0h01 de 22 de julho, no horário da costa leste norte-americana. Há, contudo, uma regra de transição: cargas embarcadas e já em trânsito poderão ficar fora da sobretaxa, desde que sejam realizados os desembaraços aduaneiros antes desta data e horário. Após esse prazo, inclusive para produtos mantidos em armazéns alfandegados, passa a valer a nova tarifa. A alíquota adicional será somada à tarifa aduaneira ordinária correspondente a cada código do sistema tarifário dos Estados Unidos, o HTSUS. Para as empresas moveleiras, o primeiro efeito será o aumento do custo de entrada no mercado. Embora a tarifa seja recolhida pelo importador, seu impacto tende a ser distribuído ao longo da operação comercial. Compradores americanos poderão solicitar renegociações, pressionar os preços pagos aos fornecedores, reduzir volumes ou repassar parte do custo ao varejo. Do lado brasileiro, as empresas terão de avaliar quanto conseguem absorver sem comprometer margens e em que medida a elevação dos preços pode favorecer concorrentes de outros países. O impacto deverá variar conforme o posicionamento de cada produto. Móveis de maior valor agregado tendem a apresentar maior capacidade de sustentação comercial. Linhas padronizadas e mais sensíveis a preço ficam ainda mais expostas à substituição. Contratos, cronogramas de embarque, Incoterms, responsabilidades tributárias e condições de pagamento também precisarão ser revistos, sobretudo nas operações programadas para as próximas semanas.