Fez faculdade aos 41, passou fome, morou no aeroporto e, aos 57, é o 1º lugar | Arnaldo Santos
O convidado de hoje nasceu em meio ao caos — literalmente. Seus pais tinham amor e coragem, mas nenhum centavo no bolso e ainda perderam o que tinham na enchente de Recife de 1966. Anos depois, quando ele veio ao mundo, não teve hospital, não teve anestesia. Teve a força da mãe… e do pai, que a ajudou a fazer o parto em casa. Essa cena seria quase um símbolo do que viria pela frente. Arnaldo cresceu mudando de casa mais do que qualquer criança deveria. Viu o pai ser expulso do Exército por se recusar a torturar um estudante na ditadura. Viu a família recomeçar do zero mais de uma vez. E ainda carregou uma marca que o acompanhou por décadas. Ele era um menino que amava brincar, tinha dificuldade de atenção e só passava na recuperação. Quando finalmente brilhou na escola pela primeira vez, ganhou uma medalha, mas ela foi arrancada de seu peito e entregue ao irmão. Arnaldo, então, cresceu acreditando que o estudo não era para ele, mas continuou tentando: Engenharia, Administração, Pedagogia, Computação… Sempre recomeçando, sempre buscando um lugar que parecia nunca chegar. Até que, aos 41 anos, entrou na graduação que sempre sonhou — Ciência da Computação. Só que o preço disso foi alto: ele passou fome, se alimentando de apenas uma paçoca por dia, dividiu sabonete caído no chão do banheiro, usou desodorante feito com suco de casca de limão… E mesmo assim se formou. Décadas depois, ele resolveu encarar outra batalha: estudar para concurso. Começou do zero. Dividiu rotina entre dois empregos, pós-graduação e família, e estudava até as 2h da manhã. Um ano depois, veio o impossível: 1º lugar nacional no concurso da Comissão Nacional de Energia Nuclear, aos 57 anos, contra candidatos mais jovens, alguns com mais tempo de casa, mais experiência, mais estabilidade. E eu tenho a honra de dizer que o meu convidado Arnaldo de Sena Santos foi e é aluno Gran.

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