Radamés Gnattali - Quarteto para piano (Quarteto da Guanabara) 1ª gravação mundial

Quarteto para piano, violino, viola e violoncelo, de Radamés Gnattali, interpretado pelo Quarteto da Guanabara, formado por Arnaldo Estrella (piano), Mariuccia Iacovino (violino), Frederick Stephany (viola) e Iberê Gomes Grosso (violoncelo), ao vivo no Foyer do Theatro Municipal do Rio de Janeiro (TMRJ) em 18 de agosto de 1975. 0:00 I. Allegro 5:46 II. Tema com variações 12:05 III. Xangô Obs. Obra grafada como "Quarteto No.2" no manuscrito, embora não exista um "Quarteto No.1" para esta formação, de autoria do Radamés. Gravação da estreia carioca da obra. Ouça aqui o áudio do recital completo:    • Quarteto da Guanabara | Schumann, Gnattali...   -- Radamés Gnattali nasceu em 1906, em Porto Alegre, e faleceu em 1988, no Rio de Janeiro. Desde cedo, foi envolvido com a música graças à formação musical da família: sua mãe, pianista, lhe ensinou os primeiros passos no instrumento, e seu pai, fagotista e maestro, incentivava os filhos a seguir esse caminho. Radamés teve uma formação sólida, estudando piano com Guilherme Fontainha e violino com sua prima Olga Fossati, chegando a atuar também como violista. Ainda jovem, trabalhou em cinemas e orquestras de baile, o que lhe proporcionou experiência prática com diferentes gêneros musicais. Tornou-se conhecido tanto como pianista quanto como regente e arranjador, destacando-se por sua versatilidade e pelo trânsito constante entre diferentes universos sonoros. Na década de 1930, Radamés estabeleceu-se no Rio de Janeiro, onde consolidou sua carreira como arranjador e maestro, especialmente em sua atuação na Rádio Nacional, da qual fez parte por mais de três décadas. Trabalhou com figuras centrais da música popular urbana, como Pixinguinha, Orlando Silva e Francisco Alves, contribuindo de maneira significativa para a estruturação sonora da era do rádio no Brasil. Foi pioneiro na incorporação de instrumentos populares às formações orquestrais e desenvolveu uma abordagem única de orquestração que fundia elementos das big bands norte-americanas com ritmos e timbres brasileiros. A extensa produção musical de Radamés inclui obras para formações diversas: escreveu sinfonias, concertos para diversos instrumentos solistas (como violão, guitarra elétrica, harmônica, acordeon, piano, harpa e bandolim), peças de câmara e obras para conjuntos populares. Destacam-se títulos como Rapsódia brasileira (1931), Brasiliana nº 1 (1945), Concerto romântico para piano e orquestra (1949), Concerto para harpa e orquestra (1958), além de suas Suítes de dança popular brasileira. Também deixou significativa contribuição ao repertório vocal, com canções como Modinha (1934), Azulão (1940) e Seis canções (1965). Radamés cultivou parcerias artísticas com músicos que marcaram época, como Garoto, Chiquinho do Acordeon, Edu da Gaita, Jacob do Bandolim e Dorival Caymmi. A partir dos anos 1960, expandiu sua atuação para a televisão, trabalhando como arranjador e maestro nas redes Excelsior e Globo. Ainda nos anos 1970, com o renascimento do choro, teve diversas de suas obras regravadas por novas gerações de intérpretes. A trajetória de Radamés Gnattali foi marcada por uma postura constante de experimentação, um esforço deliberado em dissolver as fronteiras entre as chamadas músicas de tradição "popular" e "erudita” e um compromisso contínuo com a criação e a reinvenção de linguagens musicais. Sua contribuição se destaca não apenas pela quantidade e diversidade de obras produzidas, mas também pelo papel de ponte entre mundos sonoros distintos, deixando um legado que segue inspirando músicos de diferentes gerações. -- Gravação presente em fita K7 no acervo pessoal de Arnaldo Estrella. Nossos agradecimentos à família Dauelsberg pela parceria com o IPB que permitiu que este acervo fosse digitalizado: Myrian Dauelsberg, Steffen Dauelsberg e Claudio Dauelsberg; e a Pedro d'Avila, por intermediar o envio do material para o IPB, e a Roberto Gnattali pelo envio do manuscrito original para montagem deste vídeo. -- Seu apoio viabiliza novas partituras, edições críticas e acesso qualificado ao acervo: https://catarse.me/institutopianobras... Support us on Patreon: patreon.com/BrazilianPianoInstitute -- Edição das imagens e do vídeo: Douglas Passoni de Oliveira Curadoria e revisão: Alexandre Dias