Mário Pinheiro — Yara (1910–Remasterizado)

Schottisch cantado pelo Mário nesta gravação ainda inédita na plataforma. Dono de uma das vozes mais majestosas que o Brasil já ostentou, Mário Pinheiro foi o primeiro cantor brasileiro a alcançar prestígio e reconhecimento no exterior, inclusive chegando a gravar na Victor Records, em New Jersey e mais tarde, estudando o canto e atuando no Teatro na Itália. Apesar de todo o sucesso, Mário Pinheiro morreu paupérrimo e sem ao menos conseguir completar 40 anos de idade. Disco Victor Records 99722, June 25 1910. Gravado em 25 de Junho de 1910. Matriz C-9217 Rotação — 71,29 RPM. Composição: Letra de Catullo da Paixão Cearense. Música de Anacleto Augusto de Medeiros. Se tu queres ver a imensidão Do céu e o mar, Refletindo a prismatização Da luz solar, Rasga o coração, Vem te debruçar, Sobre a vastidão Do meu penar. Rasga-o que hás ver lá dentro a dor A soluçar, Sob o peso de uma cruz de lágrimas Chorar, Anjos a cantar Preces divinais, Deus a ritmar Seus pobres ais! Sorve todo olor Que anda a rescender Pelas espinhosas florações Do meu sofrer, Vê se podes ler Em suas pulsações As brandas ilusões, O que ele diz No seu gemer E que não pode a ti dizer, Nas palpitações Ouve-o brandamente, Docemente Palpitar Casto e purpural, Num treno vesperal, Mais puro que uma cândida Vestal. Hás de ouvir um hino só de flores A cantar, Sobre um mar de pétalas de dores Ondular, Doido a te chamar Anjo tutelar, Na ânsia de te ver Ou de morrer. Anjo do Perdão, Flor, me vem abrir Este coração Na primavera desta dor; Ao reflorir Mago sorrir, Nos rubros lábios teus, Verás meu coração sorrindo a Deus. Palma lá do empíreo Que alentou Jesus Na cruz, Lírio do martírio, Coração hóstia de luz, Ai crepuscular, Túmulo estrelar, Rubra via-sacra do penar.