12 - A marca da cicatriz

Nem toda marca precisa desaparecer para que a vida continue. Nesta faixa, procurei explorar a ideia de ressignificação: a capacidade humana de atribuir novos significados a experiências que antes pareciam definidas apenas pela dor. A pesquisa musical foi construída em torno da transformação. Busquei sonoridades, harmonias e movimentos capazes de transmitir crescimento, maturidade e continuidade. Não se trata de apagar o passado, mas de reorganizar a forma como ele ocupa espaço dentro da memória. A letra foi desenvolvida a partir da observação de que uma cicatriz não representa apenas um ferimento antigo. Ela também pode representar sobrevivência, aprendizado e transformação. Sou músico e compositor, mas não terapeuta, psicólogo ou musicoterapeuta. Esta canção representa uma interpretação artística sobre os processos humanos de atribuição de significado e reconstrução da própria narrativa. Esta música não é terapia, não substitui acompanhamento profissional e não deve ser utilizada dessa forma. ________________________________________ LETRA: "[Verso 1] Ainda existem marcas visíveis, Em lugares que o tempo não apagou. Não tento escondê-las, Nem transformá-las em monumentos. Elas pertencem à paisagem, Como pertencem as árvores tortas. Que continuam crescendo, Mesmo depois da tempestade. [Pré-Refrão] A ferida já não está aberta... Mas a memória continua aqui. [Verso 2] Olho para trás sem desejar retorno, Nem reescrever o que aconteceu. A história permanece a mesma, Com suas ausências e interrupções. Mas já não me reconheço apenas, Naquilo que perdi. Também existo nas escolhas, Que vieram depois... [Pré-Refrão] A ferida já não está aberta... Mas a memória continua aqui. [Refrão] Eu pensei que precisava escolher Entre esquecer ou permanecer ferido. Hoje compreendo que existe uma outra forma, De carregar a marca sem carregar a prisão. [Verso 3] A cicatriz não pede desculpas, Nem promete explicações. Ela apenas ocupa seu lugar, Na superfície do que me tornei. Não transforma a dor em virtude, Nem o sofrimento em missão. Mas lembra, em silêncio, Que eu atravessei a escuridão. [Ponte] Há dias em que ainda encontro, Vestígios daquele antigo impacto... Uma fotografia esquecida, Uma canção atravessando a tarde... E percebo que a lembrança voltou, Sem me arrastar com ela. Como um visitante conhecido... Que já não mora aqui. [Pré-Refrão] A ferida já não está aberta... Mas a memória continua aqui. [Refrão] Eu pensei que precisava escolher Entre esquecer ou permanecer ferido. Hoje compreendo que existe uma outra forma, De carregar a marca sem carregar a prisão. [Pré-Refrão] A ferida já não está aberta... Mas a memória continua aqui. [Refrão] Eu pensei que precisava escolher Entre esquecer ou permanecer ferido. Hoje compreendo que existe uma outra forma, De carregar a marca sem carregar a prisão. [Outro] A marca permanece... Mas já não conduz meus passos... Ohhhhhh Ohhhhhh Ohhhhhh A marca permanece... Mas já não conduz meus passos... Ohhhhhh Ohhhhhh Ohhhhhh" Letra e Música: Paulo Oliveira. Direitos Reservados.